Economia
Jovens enfrentam instabilidade
Brasília, DF ? A alta rotatividade e a instabilidade da ocupação contribuem mais para os elevados índices de desemprego entre jovens que a falta de vagas de trabalho. A constatação está em um estudo preliminar (Inserção dos jovens no emprego formal: uma abordagem de fluxos) realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). A pesquisa utilizou dados da RAIS, do Ministério do Trabalho, para avaliar, entre outros fatores, o tipo de relação de trabalho dos jovens com as empresas e os motivos que levam ao desligamento/demissão. Segundo o Ipea, o desemprego juvenil não deve ser entendido como uma falta de vagas de trabalho, pois o número de admissões é superior nessa faixa etária. Em compensação, a taxa de desligamentos também é consideravelmente maior que entre os adultos. O estudo descarta como causas deste fenômeno a existência de vínculos trabalhistas frágeis ? como a contratação temporária ? e a tendência, supostamente maior entre jovens, de abandono do emprego. As diferenças entre o desligamento voluntário, apesar de ser maior na faixa de 14 a 24 anos, não parece ter magnitude suficiente para causar elevação no desemprego e na rotatividade. As análises indicam que boa parte da população entre 14 e 24 anos está em setores da economia com grande instabilidade, fato que, para o diretor do Instituto, pode ser provocado pela falta de qualificação.