Economia
Com mercado aquecido, demitir � risco
Embora pondere que seja cedo para dizer que há uma retomada do desemprego no país, o pesquisador da Fundação Getulio Vargas afirmou que o cenário mostra, de maneira geral, um enfraquecimento do mercado de trabalho. ?A economia está perdendo força. Eventualmente, isso chegará ao mercado de trabalho, o que aumenta o risco de desemprego?, previu. Barbosa Filho ponderou que há uma inércia no momento de uma empresa demitir, o que poderia atenuar o movimento. ?Com o mercado [de trabalho] aquecido, é muito arriscado demitir um funcionário?, argumentou. Considerando o cenário para o segundo semestre, Barbosa Filho afirmou que a taxa de desemprego deve continuar caindo, uma vez que o período é marcado por alto nível de contratações. ?Mas não necessariamente a taxa dessazonalizada vai cair. É mais difícil acreditar na ocorrência de recorde sucessivos, como se tinha no passado, com o crescimento mais fraco do número de pessoas ocupadas?, projetou. INDÚSTRIA Ontem, durante a divulgação dos Indicadores Industriais, o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo de Ávila, disse que não espera uma onda de demissão na indústria de transformação, apesar da queda no uso da capacidade instalada da indústria em maio. Segundo ele, o emprego continua no mesmo patamar há três anos. Isso porque, apesar das dificuldades, a indústria tem problemas com mão de obra qualificada. ?Mesmo não tendo crescimento na indústria, a gente percebe que há uma retenção de mão de obra. Primeiro porque é caro demitir e segundo porque a empresa já investiu em um processo de qualificação da mão de obra?, explicou. De acordo com o economista, o número de vagas fechadas por causa da crise de 2008 foi recuperado. Os dados da CNI mostram que o bom desempenho da atividade em maio ficou limitado a um número menor de setores do que em abril. AE ?