Economia
Quebra de usinas gera caos social
O ciclo mortal da cana volta a se repetir. Após a doce pujança da sacarose vem a queimação etílica, numa cirrose de arrebentar entranhas. Foi assim na falência dos senhores de engenho, nas disputas de herdeiros, no fim do Programa do Álcool e assim o é hoje. O fogo morto espalha bagaceira para todos os lados e partidos. São 15 mil cortadores de cana desempregados, 2 mil fornecedores ainda sem o pagamento da safra passada, usinas sem moer, comércio sem vender e bocas sem comer. Como nos tempos narrados por José Lins do Rego, no romance Fogo Morto: ?O engenho se arrastava na safra de quase nada. Mas ainda moía?. Era o prenúncio da falência, algo que hoje ronda usinas alagoanas. Das 24 existentes, quatro ainda não começaram a moer. Duas delas, do Grupo João Lyra, garantem que, finalmente, iniciam esta semana, mas devem ter uma safra reduzida, de apenas quatro meses. Já as usinas Roçadinho e Laginha anunciaram que as caldeiras ficarão frias. As usinas estão endividadas. Enquanto os industriais contam menos milhões, a microeconomia chacoalha nos municípios atrelados ao setor e as pessoas sobrevivem aos bagaços. Após a crise do Pró-Álcool, a agroindústria tinha reencontrado um ponto de equilíbrio, por volta de 2003, com a redenção do carro flex. Uma década depois, os usineiros estimam uma frustração de receita de R$ 703 milhões na safra 2013/2014. Entre recordes e quebras, safras e entressafras, o setor sucroalcooleiro mantém viva a tradição histórica de solavancos da monocultura. O canavial é bravo, teimoso, brota na terra macerada pelo caldo fervente e renasce da crise figadal em chamas.