Economia
Ind�stria culpa pre�o da gasolina
Para o setor, a origem da crise está no baixo preço da gasolina, controlado artificialmente pelo governo, que, praticamente, acaba com as vendas de álcool hidratado nos postos de combustíveis. Não à toa, quase todas as usinas de Alagoas iniciaram a fase de reparos e manutenção no mês de julho, ao invés de abril, como acontecia nos anos de produção equilibrada. Neste período de turbulência, profissionais como a psicóloga Patrícia Lins têm um papel fundamental no contato com os trabalhadores da Uruba. ?Eles sabem que o grupo passou por um momento de turbulência, mas a expectativa para a usina voltar a funcionar é muito boa. Se a pessoa chega aqui reclamando, endividada, com problemas em casa, a gente mostra que vai melhorar com a volta ao trabalho, incentiva a auto-estima para eles trabalharem harmonizados. Aí, o clima é outro, a energia é outra?. Ninguém enche mais o tanque do carro flex com etanol hidratado por um motivo simples. Não compensa, sai mais caro que a gasolina. Desde então, o faturamento do setor sucroalcooleiro começou a despencar em ritmo de progressão aritmética. Segundo a Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool, em Alagoas, a frustração de receita foi de R$ 181 milhões na safra 2011/2012, avançou para R$ 421 milhões em 2012/2013 e tem uma estimativa de saltar para R$ 703 milhões na safra atual. ?É uma progressão aritmética fortíssima?, observa o presidente da Cooperativa, José Ribeiro Toledo Filho. Diante da crise, o setor em Alagoas só vê uma saída: aumentar a mistura de etanol anidro à gasolina de 25% para 35% e acabar com a produção de etanol hidratado (aquele que é vendido na bomba de combustível). Com isso, 100% da produção do setor seriam voltados para o etanol anidro.