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Contrabando domina 62% do mercado de micros no Brasil

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Mais da metade (62%) dos 3,312 milhões de computadores vendidos no Brasil no ano passado entrou ilegalmente no mercado, avaliam os ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia. O contrabando e o subfaturamento de componentes são apontados pelo governo como os principais empecilhos para o desenvolvimento da indústria nacional de eletroeletrônicos ? um dos itens mais deficitários da balança comercial brasileira. A quantidade de peças importadas oficialmente não foi suficiente para montar os 3,312 milhões de computadores: 2001, por exemplo, os importadores trouxeram 1,545 milhão de discos rígidos. Como quase todos os computadores comercializados vêm com um disco rígido instalado, a conclusão do governo é que muitos entraram contrabandeados. O mesmo aconteceu com outras peças básicas de um microcomputador, como placas-mãe e leitores de CD e de discos flexíveis. Técnicos do governo acreditam que as peças vêm escondidas dentro dos gabinetes importados. O gabinete é o móvel no qual se encaixam as peças que fazem o micro funcionar. No ano passado foram importados quase 3 milhões de gabinetes. O governo desconfia de que muitos desses gabinetes eram na verdade computadores completos que passaram debaixo do nariz da fiscalização aduaneira. O mercado ilegal, conhecido como cinza, ainda subfatura as importações para pagar menos impostos. Entre janeiro e outubro deste ano, entraram no país 339,6 mil gabinetes com valor declarado de US$ 0,03. O preço mínimo desse produto no exterior é de US$ 5. O mais grave é que, provavelmente, muitos desses gabinetes eram na verdade micros.

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