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Economia alagoana depende da cana

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Professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o economista Fábio Guedes aposta em continuidade do crescimento de quatro setores da economia alagoana, em 2014: comércio, serviços, construção civil. Ele atenta, no entanto, para a dependência da economia local das importações de produtos orientais. ?O incentivo ao consumo aqui implica em geração de empregos lá fora porque pouco se fabrica no Brasil?, diz. Embora critique a política cambial brasileira, motivo pelo qual seria baixo o incentivo ao crescimento industrial, Guedes atenta para o impacto, na contagem futura do PIB estadual, dos investimentos realizados pela petroquímica Braskem, em Marechal Deodoro, e pela Tomé Engenharia, fabricante de plataformas, no Porto de Maceió. Ele também defende mudança de foco industrial para a região Agreste, mas chama a atenção para a necessidade de melhorarias em estrutura logística. ?A rodovia AL-220, canal de escoamento de produção, deveria ter sido duplicada?, reforça. Gazeta. Que avaliação podemos fazer do atual cenário econômico nacional e alagoano? Fábio Guedes. A grande dificuldade da economia brasileira tem sido como se elevar a taxa de desenvolvimento industrial. O crescimento tem sido muito baixo porque não há contribuição mais efetiva à expansão industrial. É consenso entre economistas heterodoxos que o problema maior está no câmbio muito valorizado (em relação ao dólar), o que desestimula a atividade produtiva e transforma o empresariado brasileiro em importador de produtos. Assim, perde competitividade. Quem ganha, então, com a valorização cambial? Os especuladores ou os investidores? Como o câmbio tem variado muito, e não tem meta muito clara, tem contribuído para a arbitragem cambial, ou seja, quem ganha com isso é o mercado especulativo, que compra e vende moeda estrangeira. Seus agentes só visam ganhos. Se o estímulo não está na produção, mas, sim, na especulação, a indústria não avança. O governo não tem tido muita coragem de enfrentar a situação e trazer o câmbio para situação mais realista. O governo vinha diminuindo sua influência na política econômica até perceber o retorno da inflação. Aí, passou a elevar a taxa de juros e a se preocupar com metas inflacionárias. Garroteou o País, ao invés de liberá-lo para o crescimento. Isso vem desde a época de FHC (Fenando Henrique Cardoso, ex-presidente da República). Toda essa movimentação prejudica o segmento industrial? A taxa de desemprego é baixíssima no Brasil. É uma das menores, mas a economia não cresce. Como se explica isso? É que o setor de comércio e serviço é o que mais cresce por causa das importações. Se se estimula o consumo, com aumento da oferta de crédito e de salário mínimo, por exemplo, o comércio vai buscar produtos na China, na Indonésia. Gera-se emprego no exterior, e não aqui no Brasil. Hoje, importa-se de tudo. 80% dos componentes de um automóvel são importados. Vivenciamos a desindustrialização. Alagoas produz pouco e importa muito do que vende. Em que cenário está Alagoas atualmente? Em 2013, tivemos acesso ao Produto Interno Bruto (soma das riquezas de uma região) referente a 2011, que aponta crescimento econômico de 6,7%, acima da média nacional, que foi de 2,3%. A indústria de transformação saiu de 9,3% para 13% do PIB local, o governo disse que crescemos mais do que a economia brasileira, o que seria reflexo da política de desenvolvimento industrial. Qual a explicação para esse desempenho acima da média? Observei que, em 2011, o mercado internacional para o açúcar foi excepcional, em relação aos últimos vinte anos. O preço da saca de 50 quilos atingiu os 30 dólares, quando a média era de 20 dólares, no início da década de 2000. As exportações, e então, saltaram de 950, em 2010, para 1 bilhão e 900 milhões, em 2011. 400 milhões de dólares a mais. Considerando que 98% das exportações de Alagoas são de açúcar, temos a explicação para o elevado crescimento do nosso PIB. A situação de Alagoas difere da realidade nacional? Importante notar também que, se nosso principal problema é retomar o crescimento industrial, Alagoas seria uma ilha de prosperidade em relação à economia brasileira? Neste sentido, continuamos muito dependentes da dinâmica do setor sucroalcooleiro e repetindo o que está acontecendo no cenário nacional, com expansão de comércio, serviço e construção civil. Não há nada de novo, a não ser a expansão destes três setores. Comércio, serviço e construção civil registraram crescimento, nos últimos anos. É possível repetir o desempenho em 2014? Entre 2007 e 2011, o setor de comércio, baseado na venda de muita coisa importada, cresceu 48,96%. O de serviço, por exemplo, cresceu 46, 49%. A construção civil, por sua vez, registrou crescimento de 228%, o que é reflexo do elevadíssimo deficit habitacional. Em 2007, eram 13.300 os trabalhadores com carteira assinada no setor. Quatro anos depois, 36.000 dependiam da construção para sobreviver. Como muita gente ainda precisa de imóvel, haverá crescimento em 2014 deste segmento. Estes três setores devem continuar crescendo em 2014. Nosso comércio continuará baseado em importações? Importa-se quase tudo o que se vende em Alagoas. Vai-se buscar no Oriente o que poderia ser feito aqui no Brasil, através de grandes importadores. Isso deve continuar em 2014, principalmente em Alagoas. A Itália tem conseguido vencer esse domínio chinês no que se refere à produção de calçado porque apostou na elevação da qualidade e na diferenciação de seus produtos.

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