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Brasileiros emitem menos cheques sem fundos

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Fátima Almeida Pesquisas mostram que o número de cheques sem fundos emitidos no comércio brasileiro vem registrando uma queda nos últimos meses. Segundo a Telecheque, empresa de consultoria de crédito, 97,64% dos cheques de novembro foram pagos, deixando um percentual de 2,36% de devolução por falta de fundos. De acordo com a mesma fonte, a inadimplência é menor do que a registrada em outubro (2,64%) e teve uma queda de 11% em relação a novembro do ano passado. A mudança de comportamento, entretanto, não foi capaz, ainda, de provocar uma reação positiva em determinados setores da economia alagoana. Com prejuízos acumulados pelos famosos ?borrachudos?, muitos comerciantes preferem manter a cautela, adotar determinadas precauções em relação a essa modalidade de pagamento ou simplesmente evitá-la. O setor de bares e restaurantes está entre as principais vítimas da inadimplência por cheques devolvidos pelo ?motivo 11? (falta de provimentos). Mas é no setor de revenda de combustíveis onde está, provavelmente, o maior índice de rejeição ao pagamento com cheque. ?A grande maioria não recebe pré-datado e só aceita cheque do dia dentro do limite especial da conta. Assim mesmo não há segurança, tem banco que não está garantindo mais nem a cobertura do cheque especial?, reclama Mário Jorge Uchôa, presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis em Maceió. Segundo ele, a inadimplência está obrigando os donos de postos a trabalhar com cartão de crédito, mesmo pagando por isso 6% de cada operação às administradoras de cartão. É mais seguro. Uchôa não tem estatísticas da inadimplência por cheques no setor, mas diz que não percebeu nenhum sinal concreto da redução apontada nas pesquisas. ?Pelo contrário. Acredito que a inadimplência chega a 30% nos postos?, arrisca. Recomendações Uchôa recomenda que os donos de postos adotem precauções tais como sistemas de proteção de cheques, não aceitar documentos de outra praça, checar a assinatura do emitente com um documento de identidade, anotar a placa do carro, etc. Todo cuidado ainda é pouco, na opinião de Uchôa. Há histórias e histórias de comerciantes que acumulam prejuízos gerados pelos ?borrachudos?. O dono de um posto na Avenida Fernandes Lima tem a sua coleção de cheques sem fundos em uma caixa de sapatos e exibe com bom humor as provas da inadimplência, que não são poucas. Centenas de cheques, apresentados e reapresentados nos bancos e que nunca foram pagos. É por essas e muitas que alguns comerciantes não querem nem saber de pagamento em cheque. Preferem não vender. Mas outros resistem e até oferecem vantagens ?aparentes?, para atrair o cliente. ?Pague com cheque para 70 dias?, anuncia um posto próximo à Praça do Centenário. O ânimo do emitente, entretanto, arrefece na hora de negociar. O ?estímulo? parece mais uma armadilha para evitar o cheque. O combustível, que custa R$ 2,05, é cobrado a R$ 2,55 em cheque pré-datado, um aumento de 25%. Desespero O segmento de bares e restaurantes está entre os setores mais penalizados com a emissão de cheques sem fundos. Segundo Sandro Xavier, diretor do sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares e presidente da Associação dos Bares e Restaurantes da Orla de Maceió, os comerciantes do setor acabam se descuidando das precauções em relação ao recebimento de cheques, porque os valores não são elevados. Acontece que quando soma o prejuízo da inadimplência muita gente se desespera. ?Recebemos muitos cheques de 15, 20 reais, e até de R$ 150 tem gente que arrisca, sem consulta aos serviços de proteção ao crédito?, afirma. No entendimento de Xavier, o cartão de crédito virou necessidade primordial na luta contra a inadimplência, embora com taxas de 4% a 5%, que chegam a 8% se o comerciante precisar negociar a antecipação do pagamento com a administradora. Codinome Pagar uma conta com cheque já foi uma das modalidades mais usadas nas relações entre comércio e consumidor, mas ultimamente pode se transformar num ato constrangedor em alguns estabelecimentos. A maioria passa pela consulta eletrônica com base no CPF e identidade do emitente, mas há casos em que a atendente pega o cheque, olha cuidadosamente, pede documento, consulta o gerente ou simplesmente anuncia: ?não aceitamos pagamento em cheque?. De tantas histórias vividas e contadas, os cheques acabaram entrando no anedotário popular, com um enorme leque de apelidos que ilustram diversas situações. Os mais comuns são: boêmio - sai na sexta-feira e volta na segunda; peixe - chega no banco e nada; boemia - ?aqui me tens de regresso?; boi - o caixa, quando recebe, faz ?huuuum!?; voador- vai passando de um para outro; borrachudo - vai mais volta; voltei pra você ?não larga do dono; vai e vem - o próprio nome já diz, e cheque duelo - ganha quem saca primeiro.

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