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Tonelada da mandioca subiu mais de 100%

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MAIKEL MARQUES E a elevação em pelo menos 300% no valor final da farinha está justamente na exportação da tonelada da mandioca produzida em Alagoas para Pernambuco. O atrativo é o preço: um ano atrás a tonelada da mandioca custava em torno de 90 reais. Há pouco mais de uma semana, a escassez no campo elevou o preço da tonelada da raiz em mais de 100%. Uma semana atrás o preço da tonelada chegou a ser repassada aos corretores por até R$ 200, o que rende aos atravessadores até R$ 60 por semana. ?Como não há incentivo, preferimos vender a mandioca para ser beneficiada no município pernambucano de Cagedo?, explica Lúcia Maria dos Santos, residente no povoado Massapê, em Feira Grande. Além do repique inflacionário, que inferniza a vida de quem vive nos grandes centros de consumo, a elevação do preço da mandioca no Agreste gera situação absurda: a do cidadão que planta mandioca e que não sabe se terá condição ou não de adquirir o produto beneficiado. O cerealista Agenor Lorenço é testemunha de um drama que se repete todas as segundas-feiras, dia de feira livre em Arapiraca. ?Clientes compravam até seis quilos por semana. Muitos reduziram a quantidade e a grande maioria simplesmente deixou de comprar a farinha?, revela. O trabalhador Antônio Alves dos Santos é exemplo de quem reduziu sua compra a cada semana. Como alternativa, associou-se a amigos do povoado Santana, em Feira Grande, para produzir a farinha que será repartida com pelo menos quatro famílias. ?Não vamos revender o produto, pois o lucro seria mínimo, diante do elevado preço da mandioca. Vamos produzir pelo menos meia tonelada. Isso será suficiente para nosso consumo durante um ano?, ressalta. Produção artesanal Cantada em verso e prosa por grandes nomes da música popular brasileira, a farinha que chega à mesa do alagoano é fruto de um minucioso processo de fabricação, caso seja feita da forma tradicional, durante a tradicional ?mandiocada? (reunião de uma comunidade para fabrico do produto), uma tradição que tende a desaparecer diante da mecanização das casas de farinha mais modernas e deve decretar a extinção das casas de farinha artesanais, hoje uma raridade no interior do Estado. A reportagem da GAZETA acompanhou, durante dois dias, no povoado Santana, município de Feira Grande, o processo de transformação da mandioca em farinha de mandioca. O primeiro passo é a raspagem manual da casca, processo que dura até três dias. ?Aproveitamos o momento da raspagem para pôr a conversa em dia. É uma tradição que passa de pai para filho?, explica Lenuza Alves dos Santos. Já raspada, a mandioca passa por um pequeno triturador mecânico. O equipamento transforma a raiz numa massa homogênea. Colocada em sacos de pano, a massa é prensada manualmente. Quando todo o líquido for eliminado, explica Antônio Alves, a massa passa pela peneira, que elimina então as impurezas reutilizadas como ração animal. ?Enquanto eu penero, o farinheiro põe lenha para aquecer o forno. Quando a temperatura estiver nas alturas, aí sim começa o processo final?, explica. Temperatura ?nas alturas?, entra em cena a figura do farinheiro e seu imenso rodo de madeira. O farinheiro espalha a massa de forma intermitente. ?Se a massa ficar parada, ela pode queimar?, orienta o farinheiro Claudenor Balbino dos Santos, 45 anos de vida, metade dos quais dedicados à produção artesanal de farinha. Rodo vai, rodo vem. Uma hora depois, a massa já está fina. Está pronta a farinha. E deve ser retirada com rapidez e ensacada. Está pronta para o consumo. ?A fabricação é demorada, mas o produto sai mais gostoso?, diz o farinheiro Claudenor Balbino.

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