Economia
Farinha de mandioca aumenta 300% no Agreste
MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? A redução da safra de mandioca e sua conseqüente escassez no mercado consumidor da região Agreste, além da exportação de 70% da produção alagoana de raízes ao mercado pernambucano, são algumas das razões pelas quais o preço do quilo de farinha de mandioca subiu, nos últimos 12 meses, pelo menos 300%, dificultando ainda mais a sobrevivência do camponês, que tem no produto a base de sua alimentação. Há um ano, o quilo do produto custava em média R$ 0,40 centavos na feira livre de Arapiraca e hoje vem sendo comercializado entre R$ 1,00 e R$ 1,29. ?A reclamação é geral. O cidadão vem da roça com dinheiro contado e infelizmente leva para casa cada vez menos farinha. Quem comprava até cinco quilos, não leva mais do que três. Em mais de 15 anos no ramo, nunca vi o produto custar tão caro?, diz o cerealista Agenor Lorenço, que ainda vende o quilo do produto por R$ 1,00, no centro de Arapiraca. Um ano atrás, ele vendia a saca de 50 quilos do produto por R$ 20 reais. Hoje, não repassa por menos de R$ 50 reais. E a elevação dificulta ainda mais a alimentação do camponês, que tem na farinha a base de sua alimentação. ?A farinha parece artigo de luxo?, avalia Francisca, mantenedora da tradição do fabrico de farinha de forma artesanal, no município de Feira Grande. Ela aponta ainda grande variação nos preços praticados nos supermercados de Arapiraca, que praticam elevação de quase 30%. Conforme constatação da GAZETA, o quilo do produto, nesses estabelecimentos, oscila entre R$ 1,15 e R$ 1,29. Na feira livre, ainda se encontra o quilo do produto por R$ 1,00. Produção reduzida Dados do Sindicato da Agricultura e Pecuária de Arapiraca estimam a produção de mandioca no Agreste em 400 mil toneladas ao ano, com geração de receita da ordem de R$ 36 milhões a cada ano. ?Trata-se da cultura que mais gera renda ao agricultor familiar?, avalia Adailton Barbosa, representante dos produtores da região. No entanto, não há motivos para comemoração. Embora o governo ainda não disponha de dados estatísticos sobre a última colheita do produto, o agrônomo confirma redução na última colheita do produto não somente no interior de Alagoas, como também na Bahia e no Paraná, os grandes produtores de mandioca em todo o País. Diante da falta de incentivos para o fabrico da farinha, o pequeno produtor opta pela exportação da raiz. ?70% de nossa produção é vendida ao mercado consumidor de Pernambuco?, revela Rui Palmeira, agrônomo da Secretaria de Estado da Agricultura.