Economia
Alimentos d�o tr�gua e desaceleram infla��o
Rio ? Os alimentos finalmente deram trégua e pesaram menos no orçamento das famílias em junho, o que desacelerou a prévia da inflação oficial no País. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) passou de alta de 0,58% em maio para 0,47% este mês, informou ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desconto na taxa de água e esgoto em São Paulo também ajudou a manter a inflação em patamar mais baixo. O resultado só não foi menor porque a Copa do Mundo inflou a demanda por passagens aéreas e outros serviços. A taxa do IPCA-15 acumulada em 12 meses alcançou 6,41%, e analistas preveem que o IPCA cheio de junho já possa estourar o teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%. ?No segundo semestre deve haver uma desaceleração, mas mesmo assim, temos uma inflação que tende a estourar o teto da meta?, avaliou o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. A consultoria espera que o IPCA de junho também fique em 0,47%, com possibilidade de fechar 2014 em 7%. Apesar do cenário desfavorável para o ano, em junho, a alimentação dentro de casa registrou até deflação (-0,23%). Ficaram mais baratos produtos como batata-inglesa, farinha de mandioca, cenoura, hortaliças, frutas e feijão-carioca. ?A expectativa é que os alimentos mantenham a trajetória de acomodação ao longo de junho?, avaliou Flávio Combat, economista-chefe da corretora Concórdia, lembrando que os preços estavam pressionados devido ao choque de oferta, por condições climáticas que prejudicaram diversas lavouras nos primeiros meses de 2014. Diante do recuo nos preços nas prateleiras dos supermercados, o resultado do grupo Alimentação e Bebidas não ficou negativo no mês apenas porque o componente serviços provocou uma alta de 1,06% da alimentação fora do domicílio. A inflação de serviços acelerou de 0,28% em maio para 0,97% em junho, calculou a Tendências Consultoria Integrada. O movimento foi puxado pelo aquecimento da demanda em função da Copa do Mundo, que pressionou alimentação fora de casa e itens de recreação, como tarifa de hotéis, excursões e ingresso para jogo. ?Para os próximos meses, a expectativa é que esses efeitos da Copa percam força, permitindo que a inflação de serviços mostre certo arrefecimento. Entretanto, vale ressaltar que a inflação de serviços, a despeito da dinâmica mais fraca do mercado de trabalho, tem se mostrado mais resistente que o inicialmente esperado. Neste sentido, ainda que com um arrefecimento marginal até o final do ano, será uma das fontes principais da alta inflação do ano?, alertaram os economistas Alessandra Ribeiro e Marcio Milan, da Tendências. A Copa do Mundo impulsionou, sobretudo, o aumento na procura por voos, tornando as passagens aéreas 22,15% mais caras em junho. Na região metropolitana de Salvador, o salto nas tarifas chegou a 37,39%. Goiânia teve a segunda maior elevação nos preços (33,87%), seguida pelo Rio de Janeiro (33,53%). As famílias gastaram mais com transportes também por causa de aumentos nas passagens de ônibus urbano e conserto de automóvel, embora os combustíveis tenham ficado mais baratos no mês. Já os gastos com Habitação reduziram a alta de 1,19% em maio para 0,29% em junho, graças ao desconto na taxa de água e esgoto na região metropolitana de São Paulo, onde a tarifa caiu 18,36%. A queda é reflexo do Programa de Incentivo à Redução de Consumo de Água, que bonifica com redução de 30% as contas de água e esgoto de usuários que diminuírem em 20% o consumo mensal. ?