Economia
Esperan�a depositada em bancos privados
Os recursos provenientes de bancos privados se transformaram na principal esperança para as famílias de classe média, que ainda não realizaram o sonho da casa própria. Na última semana, a Caixa Econômica Federal (CEF) suspendeu o financiamento para compra e reforma de imóveis usados ? por meio da Carta de Crédito ? às famílias com renda superior a R$ 1.812 (12 salários mínimos). A medida inviabilizou os planos de quem pretendia substituir o aluguel mensal por prestações de financiamento do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) na Caixa. Com isso, muitos brasileiros terão de adiar ou modificar seus planos para aquisição de imóveis usados. Agora, para realizar ? via CEF ? o sonho da casa própria, estas famílias terão de aderir à Poupança de Crédito Imobiliário (PCI), o chamado ?Poupanção?. Conforme as novas regras, estes consumidores terão de depositar, durante 12 meses, um valor equivalente ao que pagariam pela prestação do empréstimo. Só então será liberada a carta de crédito. Por outro lado, os clientes agora poderão financiar 100% do valor do imóvel usado ? antes, o teto era de 80%. A Caixa justificou as medidas como uma forma de incentivar a cultura do planejamento na aquisição de imóveis, priorizando as operações para a aquisição de imóveis novos ou na planta ? responsáveis pela geração de empregos diretos. Mas o verdadeiro fator determinante para a suspensão da Carta de Crédito parece ter sido a forte demanda por recursos registrada este ano. Até agosto, a CEF emprestou R$ 3,7 bilhões (205 mil contratos). Com isso, o saldo orçamentário para financiamentos habitacionais no segundo semestre está perto dos R$ 850 milhões. Dependência da Caixa Como reflexo das medidas, o gerente de vendas da Lello Vendas e Administração de Imóveis, João Alberti, prevê uma forte retração nos negócios imobiliários nos próximos meses. Segundo ele, até o anúncio das medidas, entre 90% e 100% dos negócios fechados mensalmente por sua empresa eram realizados com recursos provenientes da Caixa. Este dado confirma a dependência do mercado imobiliário nacional em relação à instituição: atualmente, 88% dos empréstimos habitacionais liberados no País são realizados com recursos da Caixa. Mas a partir de agora, para comprar um imóvel usado pelo SFH, na Caixa, as famílias de classe média terão que, ao mesmo tempo, pagar o aluguel do imóvel onde vivem e as prestações do imóvel que estão adquirindo pelo novo sistema oferecido pela CEF. O que será praticamente impossível paras as famílias que contam com um orçamento apertado. Desta forma, explica Alberti, a saída será buscar recursos junto às instituições privadas.