Economia
Governo eleva taxa de juros para 25% ao ano
São Paulo - O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou ontem os juros básicos de 22% para 25% ao ano, no último encontro da gestão de Armínio Fraga à frente do Banco Central (BC). A decisão, unânime, foi aprovada pelos investidores, que gostaram do conservadorismo da instituição. Com a alta de três pontos percentuais, a taxa Selic atingiu o nível mais alto desde maio de 1999. ?O aumento da inflação desde a última reunião, aliado ao nível ainda elevado da inflação esperada, levou o Copom a aumentar a taxa Selic para 25% ao ano, sem viés?, informou a instituição num breve comunicado divulgado após o encontro. Articulação O vice-líder do governo no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR), revelou que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar a taxa de juros foi uma solução articulada entre o atual governo e a equipe de transição do PT. ?Isso demonstra sintonia com o discurso que vem sendo feito pelo futuro ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o presidente indicado para o Banco Central, Henrique Meirelles?, disse. A decisão de aumentar a taxa Selic já era esperada, embora alguns analistas esperassem uma ?puxada? menor. O comportamento da inflação continua preocupando. O futuro ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou ontem que o aumento da taxa básica de juros está fundamentalmente relacionado à preocupação do governo em controlar a inflação. Palocci disse não acreditar que seja necessário um aumento da meta de superávit primário das contas públicas em decorrência da decisão tomada pelo Copom. ?A questão dos juros é muito vinculada a buscar a garantia (de cumprimento) das metas de inflação. Vamos trabalhar para criar um ambiente mais favorável do ponto de vista da inflação.? O futuro ministro admitiu, porém, que o aumento dos juros tem um efeito fiscal. ?Todo remédio tem um efeito colateral?, comparou.