Economia
D�lar volta a subir com racha no futuro governo
São Paulo - O possível fracasso da aliança entre o PT e o PMDB que vinha sendo forjada desde o fim da campanha eleitoral impediu o mercado de comemorar hoje, último dia do ?ano útil?, a maior sequência de quedas consecutivas de 2002. Os investidores se assustaram com a possibilidade de a base governista diminuir e o dólar fechou em alta de 0,43%, cotado a R$ 3,49 para venda e R$ 3,48 para compra. Mesmo assim, na semana, a moeda caiu 6,68%. O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou hoje cinco novos integrantes de sua equipe, quatro ministros e um secretário - nenhum deles do PMDB, com o qual o PT costura um acordo desde a campanha eleitoral. O futuro ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), e o presidente do PMDB, Michel Temer, afirmaram pouco depois que que não haverá participação peemedebista no governo de Lula, o que preocupou o mercado, temeroso de uma redução na base governista, que dificultaria a aprovação de projetos de lei e reformas. Durante toda a manhã e início da tarde, o dólar operou em forte queda, alcançando a cotação mínima de R$ 3,404 - uma queda de 2,05% - e flertando com o patamar de R$ 3,30 pela primeira vez desde 18 de setembro. A possibilidade de o PMDB não participar do governo ameaça o ciclo virtuoso que, segundo analistas, começou esta semana, quando entrou dinheiro vindo de fora no mercado, o que derrubou o câmbio e fez o risco-país cair, o que por sua vez facilita a entrada de mais dinheiro no país. O estopim desse movimento foi o rompimento da barreira psicológica dos R$ 3,50, na manhã de ontem. ?Quando rompeu R$ 3,50, quem ainda estava apostando contra começou a vender [dólar] também?, disse um analistas. Expectativa Se o acordo no Congresso ainda for costurado, a expectativa é que o dólar reassuma a trajetória de queda, especialmente com o baixo volume de negócios dos próximos dias, quando muitas empresas dão férias coletivas aos funcionários devido às festas de fim de ano. A ruptura do patamar de R$ 3,50 ontem se baseia em três fatores, todos com perspectiva de se sustentarem: otimismo quanto à nova equipe econômica alimentado pela indicação de Henrique Meirelles na semana passada para presidir o BC; a entrada de recursos captados fora do país e a rolagem da dívida cambial doméstica. Outro fator positivo na semana foi a entrada no mercado de US$ 175 milhões captados no exterior pelo Bradesco na semana passada e mais US$ 150 milhões captados pelo Itaú nesta semana, o que aponta para uma ampliação das linhas de financiamento para o país. A venda pelo BC de US$ 1,27 bilhão em linhas externas a serem devolvidas no início do ano, mas que servirão às instituições como proteção cambial, também ajudou a aumentar a liquidez. Finalmente, a renovação de 84,1% da dívida cambial que vence dia 2, de US$ 2,59 bilhões, em três operações - duas quinta-feira e uma ontem - também deixaram os investidores otimistas, sobretudo porque a renovação, com duas operações foi feita a taxas cerca de 30% mais baixas do que as exigidas pelos investidores na última operação do tipo, há apenas uma semana, quando as taxas já vinham caindo.