Economia
Expectativa de safra de cana recua para 24 mi de toneladas
EDIVALDO JUNIOR O calor, o sol forte e o céu de brigadeiro que tem marcado o comportamento do clima e do tempo em Alagoas nos últimos dias pode até trazer ganhos adicionais para a indústria do turismo ? um dos segmentos mais fortes da economia alagoana - mas em contrapartida, trará por outro lado aumento de custos e redução da produção do principal setor econômico do Estado ? o sucroalcooleiro. As expectativas de safra agrícola já foram oficialmente frustadas devido a estiagem das últimas semanas. Depois de anunciar uma estimativa de safra de 25 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para o período 2002/03, o Sindicato da Indústria do Açúcar e Álcool em Alagoas (Sindaçúcar) admitiu oficial mente que a produção agrícola poderá chegar, no máximo, a 24 milhões de toneladas. Por enquanto, avalia o presidente do Sindaçúcar, Jorge Toledo, a redução é apenas agrícola e não deve afetar a produção industrial. Isto porque, as canas têm chegado, alega, com um maior teor de sacarose na indústria. ?Em termos de produção industrial estamos mantendo a mesma expectativa. Devemos produzir cerca de 1,4 milhão de toneladas de açúcar para exportação, entre 500 e 550 mil toneladas de açúcar para o mercado interno e um volume de álcool entre 600 e 700 milhões de litros?, estima. A maior preocupação, no momento, segundo Toledo, é com a próxima safra, por causa da dificuldade que a planta terá de rebrota com o período mais seco. ?Trabalhamos para um canavial produzir pelo menos seis folhas (seis safras). Uma seca mais acentuada no momento do corte da cana pode comprometer a socaria ou prejudicar o desenvolvimento da planta para a próxima safra e, neste sentido, causar uma grande perda econômica?, aditem. Irrigação As perdas só não são maiores, lembra Toledo, porque as usinas e fornecedores de Alagoas investiram fortemente em irrigação nos últimos dez anos. Atualmente, estima-se que existem no Estado mais de 200 mil hectares de canaviais com irrigação ? plena ou de salvação ? o que representa cerca de metade da área cultivada com cana-de-açúcar. ?As indústrias buscaram soluções eficientes no uso da água, não só em equipamentos, mas principalmente no manejo dos mananciais. Isto tem permitido atravessar com menor dificuldade hoje períodos secos como o atual?, explica.