Economia
Maioria dos empregados n�o tem carteira assinada
EDIVALDO JUNIOR Poucos dias antes do primeiro operário assumir a presidência da república na história do país, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) revela, através dos números finais do censo de 2000, divulgados este mês, que a maioria dos trabalhadores de Alagoas não tem carteira assinada. Os dados do censo, se não são alarmantes, certamente se tornarão um desafio para o governo dos trabalhadores. Do total de pessoas - 532.742 - classificadas tecnicamente como ?empregados? em Alagoas (pessoas de 10 anos ou mais de idade ocupadas na semana de referência), 250.982 ou 47,11% do total não tinham carteira de trabalho assinada. Os ?empregados? com carteira assinada somavam 237.945 ou 44,66% do total, enquanto os militares e funcionários públicos estatutários eram 43.814 ou 8,22% à época do censo. Exluídos dessa soma os servidores públicos, a maioria dos empregados não tinham carteira assinada em Alagoas. Ocupação Os resultados da amostra revelam que em 2000 o total de pessoas classificadas como ?ocupadas? na semana de referência, inclusive empregados, em Alagoas era de 897.718 pessoas. Nesse item, apenas 14.411 pessoas ou 1,60% da amostragem declaram ser ?empregadores?. O maior universo nesse segmento é o de pessoas classificadas como ?empregados?: 532.742 ou 59,34% do total. As demais pessoas apareceram classificadas como ?conta própria? (200.258 ou 22,30%), ?não remunerados em ajuda a membro do domicílio? (71.038 ou 7,91% do total) e ?trabalhadores na produção para o próprio consumo? (79.269 ou 8.83% do total). Estes dados levam em consideração apenas as pessoas que declararam ter uma ocupação efetiva ? remunerada ou não - durante o período de coleta de dados do censo. Uma comparação com os dados do PEA (População Economicamente Ativa) revela que em 2000 mais de 190 mil pessoas residentes no Estado consideradas economicamente ativa declararam não ter ocupação. Esses números reforçam os desafios para os governantes. Além assegurar os direitos dos milhares de empregados que trabalham sem carteira assinada, será preciso também desenvolver uma política que assegure a geração de empregos para os desempregados.