Economia
Ouro verde n�o enrica mais
Craíbas ? Enquanto enrola as folhas destaladas de fumo no alpendre da casa no povoado Lagoa Azeda, zona rural de Craíbas, o trabalhador rural Antônio Rodrigues revela uma triste constatação. ?O fumo não deixa o agricultor rico. A verdade é que nunca deixou. Quem ganha dinheiro com o fumo são os negociantes e a gente continua plantando porque não sabe negociar?, declarou. O agricultor conta que ?desde sempre? planta tabaco e, apesar de ter se conformado com os poucos lucros, não desiste por acreditar que os rendimentos das outras culturas é ainda menor. ?Tem gente que deixa o fumo de lado e vai plantar mandioca, só que leva um ano e meio para poder colher. É tempo demais até conseguir fazer algum dinheiro. Já o feijão e o milho, às vezes, rendem tão pouco que é mais negócio deixar em casa do que vender?, justificou. Apesar das dificuldades, Antônio Rodrigues não reclama do trabalho duro que, pelos próximos três meses, vai deixar pouco tempo livre para ele e outros membros da família, envolvidos no trabalho de enrolar e virar as folhas, processo necessário para curar o produto. ?Depois que sai da roça é que começa a parte mais pesada do trabalho. Mas a verdade é que o fumo não é trabalho para gente preguiçoso, não. Na roça, a dificuldade é para arrumar trabalhador, pelo menos na primeira parte da colheita, que é a maior. Depois que seca no varal, a gente leva para destalar em umas casas lá no povoado Folha Miúda, e então começa esse serviço que estou fazendo agora, de enrolar o fumo?, explicou.