Economia
POLUI��O AMEA�A ESP�CIES
A vida nasce nas lagunas de Alagoas. Respira, nada. Respira nada, logo morre. O berçário divino é invadido pela poluição e seus pares homicidas. Filhotes travam uma luta desigual contra a devastação, os agentes tóxicos, o assoreamento e seu principal predador: o homem. Cavalos-marinhos, meros, tubarões-lixa, tartarugas, carapebas, curimãs, taiobas e camarões tentam resistir, mas a fauna só diminui, tanto em quantidade como em biodiversidade. Algumas espécies sobrevivem com bravura, a exemplo do siri, sururu e maçunim. Peixes como o mandim e o bagre guriaçu são encontrados até no Canal do Trapiche, um dos trechos mais poluídos do complexo lagunar Mundaú Manguaba. Mas nem todos são tão brutos e não há guelra que aguente. O mero e o tubarão-lixa estão ameaçados de extinção porque são peixes de grande porte e comportamento dócil que entram na lagoa para procriar. Os cavalos-marinhos também correm grande risco. Alagoas tem 19 lagunas, mas o povo prefere chamá-las de lagoas (que tecnicamente são aquelas sem ligação com o mar). Eu também prefiro. Junto com os recifes de corais, as lagoas são consideradas as grandes maternidades da vida marinha, ecossistemas perfeitos para a desova, nascimento e crescimento de espécies que encontram um habitat de refúgio para se proteger dos predadores dos oceanos. Há 3 anos, uma equipe de pesquisadores do Instituto do Meio Ambiente (IMA), composta por quatro biólogos, um geógrafo e estagiários faz um levantamento atualizado da biodiversidade lagunar e recifal em Alagoas. O resultado do projeto será lançado no fim deste mês, em formato de livro e de livro digital. O trabalho coordenado pelo biólogo Juliano Fritscher, da unidade de Gerenciamento Costeiro (Gerco) do IMA, foi a todas as lagoas do estado e aos recifes situados entre o Peba e Maragogi.