Economia
Presidente prega ajuste sem mexer no sal�rio
Brasília, DF ? Em seu discurso de posse, no próximo dia 1º, a presidente Dilma Rousseff pretende retomar o principal eixo da campanha eleitoral e reafirmar seu compromisso com a continuidade do processo de inclusão social. O instrumento será a manutenção da política de valorização do salário mínimo. Foi o que ela disse a representantes das centrais sindicais. O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, perguntou o que aconteceria com a política econômica, já que ela chamou para comandar o Ministério da Fazenda ?pessoas que gostam de cortar?. Ela garantiu que o piso salarial continuará recebendo reajustes acima da inflação. O problema é que o sistema de correção do mínimo era um alvo óbvio de um eventual plano mais rigoroso de ajuste nas contas públicas - que a própria Dilma também sinalizou, ao escolher Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Isso porque os gastos sociais, principalmente os atrelados ao mínimo, são os itens que mais crescem nas despesas do governo federal. LIMITES Essa contradição deixa claro que há limites políticos para o ajuste. E isso é entendido na nova equipe econômica. Afinal, comentam assessores, ?quem manda é ela?. A ordem é construir o superávit primário (economia de recursos para pagar a dívida pública) sem pôr em risco os compromissos de Dilma. A questão é se isso será possível. ?A ideia do triunvirato [associação política entre três homens em pé de igualdade] vai caindo por terra mais rápido do que se imaginava?, disse o economista Sérgio Vale, da MB Associados.