Economia
Alta de pre�o dos combust�veis � repassada para os alimentos
FÁBIA ASSUMPÇÃO Os constantes aumentos dos preços dos combustíveis acabam afetando não apenas os proprietários de veículos, mas os consumidores de forma geral. Em Maceió, desde a semana passada, o litro da gasolina ultrapassou a casa dos R$ 2,30. E até o gás natural canalizado sofreu um reajuste de mais de 24%. Cada reajuste da gasolina gera uma reação em cadeia, que resulta no aumento de preços gerais, principalmente dos alimentos. Como a maioria dos produtos alimentícios comercializados em Alagoas, desde as hortaliças aos industrializados, são importados de outros Estados, o consumidor sente no bolso o aumento do combustível quando vai à feira nos supermercados ou no mercado. O presidente da Associação dos Supermercados de Alagoas, Raimundo Barreto, confirma que o preço dos combustíveis influi em muito no valor final das mercadorias expostas nas prateleiras dos supermercados. Como quase 90% dos produtos vem de outros Estados, toda vez que há um reajuste do preço da gasolina e do óleo diesel, aumenta o preço do frete do transporte das mercadorias. Mercadorias Segundo Barreto, a única saída para os supermercados é negociar com os fornecedores para que o preço do frete não seja embutido na mercadoria. ?O aumento dos preços das mercadoria faz cair o poder de compra do consumidor e não há interesse por parte dos supermercados que isso aconteça?. Ele reconhece, no entanto, que a própria indústria inclui no preço final da mercadoria o valor do frete do transporte. Quanto mais longe for trazida a mercadoria, maior o valor frete. Barreto acredita, no entanto, que a situação deve melhorar nos próximos meses. ?Houve muita turbulência na economia por causa da transição política. Mas, a partir de agora, a tendência é a situação normalizar?. Frete Na Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa), os comerciantes também sentem os reflexos dos constantes aumento das mercadorias por causa do pagamento de frete. Mais de 90% das hortaliças vendidas em Maceió vêm de outros Estados ou de municípios do interior. Uma saca de batata, por exemplo que custava R$ 1,00, passou para R$ 2,00 por causa do aumento do frete. Quem mais sofre com essa situação são os consumidores, que não suportam mais tantos aumentos. A dona de casa Maria Lopes Santos costuma ir todos os dias a Ceasa, porque acha os preços das hortaliças mais baratas no local. Ela costuma gastar cerca de R$ 10,00 por dia com a compra de hortaliças. ?Como das hortaliças bem fresquinhas, por isso vem praticamente todo o dia a Ceasa?, justificou. ?Só que hoje não comprou nem a metade do que comprava com os 10,00 na semana passada?, reclama. Nos supermercados, o coro dos insatisfeitos com os aumentos constantes dos produtos é ainda maior. ?Toda vez é isso, quando aumenta o combustível, no outro dia tudo está mais caro no supermercado?, reclama a funcionária pública Rosana Santos. Para a funcionária pública, o jeito é reduzir cada vez mais a quantidade de mercadorias no carrinho. ?Só que tem coisas que são essenciais como arroz, feijão e açúcar, que a gente não pode deixar de comprar, e são os que mais aumentam?.