Economia
Mis�ria alagoana pode servir de laborat�rio para governo Lula
ANA MÁRCIA Alagoas poderia se tornar laboratório dos programas inovadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a exemplo do Fome Zero e Primeiro Emprego, assim como o posto avançado das iniciativas econômicas na área de turismo, irrigação, habitação e ampliação da reforma agrária, com facilidade do crédito produtivo. Para o doutor em Economia e professor da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles, tudo isso se justificaria por ser o Estado com o pior Índice de Desenvolvimento Humano do País (IDH). ?Essa parece ser a única maneira de Alagoas romper, efetivamente, com o atraso secular, melhorar seu IDH e entrar na rota de um Brasil moderno?, afirma Péricles. Segundo o economista, os baixos Índices de Desenvolvimento Humano dos seus municípios explicam por que Alagoas não atrai investimentos. ?O empresário que analisa os dados regionais observa que, por um lado, não se tem aqui renda e mercado atrativo e, por outro lado, é péssima sua qualidade de vida: de suas famílias e empregados?, diz. Outros Estados nordestinos têm melhores condições de vida, mercados maiores e mais infra-estrutura, implicando numa difícil disputa. Na sua avaliação, com poucas indústrias, uma agricultura com apenas alguns setores dinâmicos, um comércio pouco desenvolvido e um setor de serviços baseado na economia informal e incapaz de gerar mais empregos, a economia do Estado de Alagoas ainda carrega nas costas a distribuição de renda mais concentrada do Brasil. Para Cícero Péricles, neste momento, quando o governo Federal anuncia fortes programas sociais, percebe-se um relativo consenso entre o Governo do Estado, bancada alagoana em Brasília, partidos políticos, organizações não-governamentais e empresariado sobre a possibilidade de transformar Alagoas neste espaço privilegiado.