Economia
Macei� tem pior IDH entre capitais nordestinas
ANA MÁRCIA Maceió é um caso atípico: foi o único município alagoano com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) diminuído, de 1991 a 2000 caracterizando-se como o mais baixo IDH entre as capitais nordestinas. De acordo com informações do professor de Economia Cícero Péricles, a cidade tem 380 aglomerados subnormais, onde vive 40% da população e ainda é marcada por uma forte migração. ?A capital não tem recebido investimentos públicos ou privados capazes de absorver todas as demandas, haja vista o crescimento urbano acelerado, com parte da população vivendo em aglomerados subnormais?, destaca Péricles. Na última década, a renda dos maceioenses decresceu consideravelmente, assim como o indicador de saúde. Para o economista, não seria tão oneroso melhorar a qualidade de vida dos maceioenses com o empenho do poder público em utilizar programas federais de educação e merenda escolar, ampliação de escolas, Programa Saúde da Família e projetos de mutirões. Poderia se utilizar ainda as políticas públicas empregadoras, mas tudo depende de decisões e vontade política. O IDH estende-se a todos os Estados e municípios brasileiros, sendo calculado a cada 10 anos, pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas, do governo federal, juntamente com o PNUD, órgão vinculado à ONU. O resultado pode ser considerado uma avaliação relativamente segura da qualidade de vida municipal e é obtido de uma média entre saúde, educação e renda da população. A saúde é medida pela expetativa de vida ao nascer. A educação é contabilizada pela alfabetização e pelo número de matrículas da população com idade escolar e o item renda é calculado pela riqueza total dividida pelo número de cidadãos. +++ Novo Lino perdeu no ranking estadual Novo Lino, situado a 99 km da capital, foi o município que mais caiu em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 1991 a 2000, no ranking estadual, acompanhado de Cajueiro e Jundiá, segundo o novo atlas divulgado pelo IBGE. Subiram no ranking alagoano: Jaramataia, Lagoa da Canoa e Paulo Jacinto, entre outros. O resultado tem um aspecto positivo, de acordo com análise feita pelo economista da Ufal, Cícero Péricles: em 1991 apenas dois municípios ? Maceió e Penedo ? tinham nível médio de desenvolvimento acima de 0,500 e menos de 0,800. Hoje são 88 municípios nesta condição. Pelo novo atlas, só três municípios - Poço das Trincheiras, Porto de Pedras e Traipu ? são considerados de baixo desenvolvimento: com menos de 0,500, permanecendo no patamar anterior. No Estado, conforme analisa Cícero Péricles, os municípios de melhor desempenho são os considerados ?pólos?, com maior população, próximos à capital e que abrigam unidades industriais e o mais importante, contam com prefeituras empenhadas nas áreas sociais. Apesar de Alagoas ter permanecido no último posto da apuração nacional do IDH, os dados demonstram que foi o Estado que mais avançou em termos relativos, apresentando uma variação positiva de 20%, entre todos os Estados, nos anos 90. Ao contrário do que ocorreu nas décadas de 70 e 80, houve uma evolução de 31% em educação e de 16% em saúde. Segundo Cícero Péricles, investimentos federais, principalmente no ensino fundamental e nos programas de saúde pública, são as razões deste crescimento. ?Mesmo significativa, essa evolução não foi suficiente para fazê-lo saltar posições até alcançar a média nacional?, ressalta Péricles.