Economia
Oferta tem retorno insignificante
Brasília ? O aumento das operações de crédito público desde a crise de 2008 teve efeito reduzido no financiamento de grandes empregadoras de mão de obra e executoras de projetos de infraestrutura. Os desembolsos também não se transformaram em aumento efetivo da taxa de investimento na economia. Pelo menos no caso das companhias de capital aberto, que apenas reduziram o custo de rolagem das dívidas, revela estudo dos professores do Insper Marco Bonomo e Ricardo Brito e do economista do Banco Central Bruno Martins. As empresas maiores, mais antigas e mais capitalizadas foram as mais beneficiadas pela expansão do crédito público pelos bancos oficiais, principalmente o BNDES. Esses desembolsos deveriam favorecer setores intensivos em ?externalidades sociais positivas?, como geração de vagas. No entanto, não foram os principais beneficiários da forte expansão do chamado crédito direcionado no pós-crise. As empresas que receberam esses recursos foram justamente as que não teriam dificuldade em obter financiamentos na banca privada, o que é uma contradição com a visão social da intervenção do governo no mercado de crédito.