Economia
O mercado do medo em Alagoas
O tiro de misericórdia na paz de espírito vai direto na veia da vítima da violência. Injeta o veneno da desconfiança, espalha o medo na corrente sanguínea e trava o sistema nervoso central. Só um comando chega ao cérebro: buscar proteção. A defesa é um instinto básico da humanidade, desde o tempo das cavernas, refúgios seguros de Australopithecus e Neandertais. Hoje, o ?homem evoluído? da sociedade contemporânea procura abrigos mais eficientes. Os perigos são outros e as cavernas também. Para se proteger, são outros quinhentos. É preciso investir em alarme, monitoramento por câmeras, muro alto, cerca elétrica, grades, seguranças armados, blindagem de veículos, guaritas, quartos do pânico e por aí vai. Na capital e no Estado mais violentos do país, as empresas de segurança privada crescem em franca expansão. É o chamado mercado do medo. A blindagem de veículos é um dos setores que mais avança no país. Em pleno cenário de crise econômica, aumentou 16% em 2014. Uma empresa franqueada aberta em Alagoas em dezembro fez um cadastro de 200 clientes dispostos a blindar o carro. Isto num período de dois meses. A meta da empresa é adaptar oito carros por mês, com orçamentos que variam de R$ 25 mil a R$ 50 mil. O custo equivale à compra de outro carro, mas os números mostram que não faltam clientes dispostos a transformar o carro numa caixa-forte como a do Tio Patinhas. Dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin) apontam que 14.508 veículos receberam a proteção balística em 2013. Os números de 2014 ainda não foram consolidados, mas este nicho de mercado movimentou cerca de R$ 600 milhões, só no ano passado. A frota nacional já deve chegar a 144 mil automóveis blindados.