Economia
Alta dos pre�os faz consumidor mudar h�bitos
A impressão de que não é mais possível acompanhar os preços dos alimentos deixou de ser apenas impressão para a servidora pública estadual Eliene dos Santos, 59. Faz é tempo que ela abandonou um hábito até três anos atrás possível para o seu padrão econômico: sair do supermercado com o carrinho de compras cheio. ?Feira de mês de uma só vez??, pergunta. ?Isso é coisa do passado. Não tenho a menor condição de comprar de uma só vez a alimentação do mês. Aliás, minha feira do mês termina em 20 dias?, completou Eliene, uma das inúmeras consumidoras que saíam de supermercado do bairro da Cambona com poucos alimentos. Por quê? Economia de recursos? ?Não, de jeito nenhum!?, explica. ?É que a minha renda não acompanha mais o preço dos alimentos!?, sentencia a funcionária que tinha ido às compras com pouco mais de R$ 30,00. ?Infelizmente, só vou levar bolachas, um bolo, alguns pães, uma dúzia de banana e alguns gramas de queijo?. Desde que ficou viúva, alguns meses atrás, Eliene disse ter sido necessário fazer inúmeros ajustes domiciliares para conciliar o modesto orçamento às necessidades alimentícias de dois de seus quatro filhos e de uma neta. Os açucarados e deliciosos lanches, explica a servidora, não fazem mais parte da rotina familiar. ?Vez ou outra, ainda compro bolachas recheadas para minha neta?, diz, sorridente. E a carne bovina para robustecer o almoço do dia a dia? ?Não tem bolso que aguente pagar até R$ 32,00 pelo quilo da carne. Tem??, pergunta à reportagem. ?Até carne com osso tá com preço elevado, meu amigo!?, confessa. Eliene utiliza mais de 80% do seu salário líquido de pouco mais de R$ 900,00 para comprar alimentos. Mesmo assim, ainda conta com ajuda de uma filha para completar a alimentação da última semana do mês. ?Se ela não me ajudar, fica muito difícil ter alimentação em quantidade suficiente à mesa de casa?.