Economia
Governo decidir� sobre pol�mica do pre�o do g�s
EDIVALDO JUNIOR Motivo de polêmica entre o maior consumidor, a Braskem, e o único distribuidor, a Algás (Gás de Alagoas S/A) o preço do gás natural de Alagoas para uso industrial vai cair como uma ?batata quente? nas mãos do governador Ronaldo Lessa nessa segunda-feira. Ele vai receber relatório do secretário Marcondes Aurélio de Oliveira, da Indústria e Comércio, que passou a última semana empenhado em chegar a um acordo entre as partes. ?A decisão final cabe ao governador. Ouvi as duas partes e preparei um relatório que aponta as razões de cada um. Tanto a Algás quanto a Braskem apresentaram argumentos convincentes?, sintetiza Marcondes. Lessa, depois de ler o relatório, deve intervir no caso. Na última sexta-feira ele já demonstrava preocupação com o problema: na audiência que manteve como o presidente Lula pediu a redução dos preços do gás natural no Nordeste . Entenda o caso Há pouco mais de uma semana, o superintendente da da Braskem em Alagoas, Manoel Carnaúba, disse que a empresa pode reduzir a produção de PVC no Estado por causa do preço do gás natural. A Brasken consome quase 300 mil metros cúbicos de gás natural por dia, uma despesa que representa cerca de R$ 3 milhões/mês. A empresa reclama dos reajustes do produto no ano passado, que teriam ficado pelo menos 6% acima do IGP-M (índice usado como indexador das tarifas públicas) e alega que os aumentos tornariam a produção de PVC em Alagoas menos competitiva. ?Estamos 600 quilômetors mais distantes do centro consumidor de PVC do que nossa unidade de Camaçari (BA). Como o preço do gás em Alagoas está praticamente igual ao da Bahia, temos que avaliar onde é mais competitivo aumentar ou reduzir a produção?, ponderou. Até dezembro, o m3 de gás para uso industrial custava R$ 0,31 na Bahia e R$ 0,3099 em Alagoas. Com o reajuste anunciado pela Algás, que motivou a polêmica, o preço do gás passaria para mais de R% 0,35 por m3 a partir deste mês. Mantido esse valor, a Braskem decidiria nas próximas semanas a manutenção da produção nas unidades de Maceió e de Marechal Deodoro, que ?operam a pleno vapor, enquanto a unidade da Bahia tem capacidade ociosa?. Pelo menos, uma boa notícia: mesmo que haja redução na produção, os empregos não estão ameaçados. ?A redução ou não do volume de produção é uma questão pontual. Não posso abrir mão dos nossos profissionais, nos quais investimos muito em formação e capacitação?, disse. Depois da reunião que manteve na sexta-feira com o secretário Marcondes Aurélio, de quem guardou ?excelente impressão?, Carnaúba diz que não pretende polemizar com a Algás, nem fazer ameaças ao Estado ? isto porque a redução de 30% na produção de PVC poderia representar um perda de ICMS de até R$ 400 mil /mês. ?Eu levantei uma questão que é séria e sei que tanto o governo quanto a Algás vão entender que nosso objetivo é manter Alagoas competitivo na produção de PVC?, resumiu. Petrobras O presidente da Algás, Fernando de Souza, não quer mais falar sobre o assunto. Quem define os preços do gás, alega, é a Petrobras, com homologação da Arsal (Agência Reguladora de Serviços de Alagoas). ?Não me interessa discutir questões como margem de lucro. Não determinados preços, apenas repassamos os percentuais, proporcionalmente, de aumentos dados pela Petrobras?, afirmou. O novo preço do gás natural, segundo Fernando de Souza, já foi homologado pela Arsal e publicado no Diário Oficial do Estado.