Economia
Metade da popula��o de Alagoas � de pobres
ROBERTO VILANOVA Dos 2,7 milhões de alagoanos que formam a população do Estado, mais da metade ou 1 milhão 427 mil são pobres, de acordo com levantamento do Instituto Cidadania, cujos números irão subsidiar o Programa Fome Zero, do governo federal. São 830 mil alagoanos pobres morando nas cidades e 597 mil no campo, segundo o instituto, que é coordenado pelo professor José Graziano da Silva. ?Isto representa 47% da população das cidades alagoanas e 63% da população do campo. É muita pobreza. Para se ter uma idéia, a renda média dos pobres que vivem nas cidades é de 40 reais e, no campo, 32 reais. Esse drama social gigantesco é o maior dos nossos problemas econômicos. Por quê? Porque a produção que gera emprego não existe sem um amplo mercado consumidor. Para existir consumo é necessário renda?, ensinou o economista Cícero Péricles. Fome Zero O economista, que defende uma ampla negociação com o governo federal visando-se a melhoria dos indicadores sociais e econômicos de Alagoas, lembra que a década de 1990 foi perdida para o Estado. E sem a ajuda da União ele não vê possibilidade de o Estado se recuperar, face ao hiato gigantesco que se formou nos últimos dez anos. Péricles lembra que Alagoas, nas décadas de 1970 e 1980, viveu o boom dos investimentos com a expansão da produção canavieira e a perspectiva de implantação de projetos químicos. A expansão da produção no setor primário da economia se deu pelo Programa Nacional do Álcool (Proalcool) enquanto na área industrial viveu-se a expectativa da instalação do pólo cloroquímico, o que acabou gerando frustrações pelo não atendimento às expectativas. No limite Além da frustração com o pólo cloroquímico, o economista observou que o setor canavieiro alagoano atingiu o limite de expansão horizontal, ou seja, não existem mais terras no Estado para o plantio da cana-de-açúcar. ?Isto obrigou muitos empresários irem investir em outros lugares e o alvo principal é Minas Gerais, pela proximidade com o mercado consumidor do Centro-Sul e a maior produtividade da terra. ?Os três grupos alagoanos que mantêm investimentos em Minas Gerais (Grupos João Lyra, Carlos Lyra e Coruripe) vão esmagar nesta safra 40 milhões de toneladas de cana?, disse. Mesmo defendendo a ajuda do governo federal para alavancar a economia alagoana, Péricles cobra do governo estadual uma política agressiva para atrair investimentos privados. ?Os números da pobreza em Alagoas são claros: dos 2,7 milhões de alagoanos que compõem a população do Estado, mais da metade é considerada pobre?, completou. Mesmo diante dos números negativos, o economista destaca um fato positivo: a diminuição das disparidades entre os valores apresentados pelos municípios sobre o IDH. De acordo com Péricles, em 1991 a diferença entre o município mais desenvolvido, no caso Maceió, e o mais pobre ? naquele ano foi São José da Tapera ? era de 0,479 ponto. Em 2000, a última pesquisa, Maceió permaneceu como o município mais desenvolvido, mas a diferença para o menos desenvolvido, no caso Traipu, foi de 0,260 ponto. ?A diminuição das disparidades entre o mais desenvolvido e o menos desenvolvido é, sem dúvida, um dado positivo?, disse.