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Economista diz que AL � terceiro mundo do Brasil

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ROBERTO VILANOVA Ao dividir o Relatório sobre o Índice de Desenvolvimento Humano ? IDH ? em três blocos de Estados, o economista Cícero Péricles concluiu que Alagoas é o ?terceiro mundo? do Brasil e explicou que nenhum município alagoano atingiu a média do IDH nacional (0,764), nem mesmo Maceió; e nenhum dos 102 municípios alagoanos foram relacionados entre os 574 considerados de alto desenvolvimento humano. Pior: entre os 19 municípios brasileiros considerados como os piores do País em desenvolvimento humano, três são de Alagoas: Poço das Trincheiras, Porto de Pedras e Traipu. Mas o economista está otimista, ao destacar que, mesmo com o quadro desanimador, Alagoas foi o Estado com a maior variação positiva de IDH, com quase 20%. ?A melhoria efetiva mesmo é na área da educação, seguida da saúde, áreas nas quais as políticas públicas ? um direito constitucional ? conseguem resultados positivos a curto e médio prazos. Se não cresceu mais, deve-se ao fraco desempenho da renda, provando assim que pode existir avanço social mesmo num ambiente de muita pobreza monetária?, explicou. Menos miséria O economista Cícero Péricles, mesmo reconhecendo que a situação de Alagoas é a pior do País ? o que o levou a colocar o Estado no bloco do ?terceiro mundo? brasileiro ? disse que os municípios alagoanos melhoraram, ainda que de forma desigual, considerando-se a situação registrada pelo Relatório do IDH referente ao ano de 1991. ?Com exceção de Maceió, todos os demais municípios alagoanos melhoraram, ainda que de forma desigual, seus números de IDH. Analisando-se estritamente a situação pelos elementos que compõem o IDH, ou seja, educação, renda e longevidade ? é possível observar que Maceió ficou mais pobre, embora um pouco mais saudável e escolarizada?, completou. Péricles adiantou que o crescimento acelerado da população de Maceió, com um componente muito forte de imigração rural-urbana e interior-capital, neste intervalo de tempo, foi enorme: passou de 700 para 850 mil habitantes em dez anos. ?Infelizmente, nessa época, não se fizeram os investimentos necessários para atender às infinitas demandas da população mais carente nas áreas da educação, saúde, emprego, segurança e habitação. Explicação O economista explicou os números positivos registrados pelos municípios de Jaramataia, Lagoa da Canoa e Paulo Jacinto. ?Esses três municípios foram os que tiveram os melhores desempenhos relativos, subindo muito no ranking estadual. Quando analisamos os dados disponibilizados pelos Ministérios da Educação, da Saúde e pela Secretaria do Tesouro Nacional, compreendemos a importância dos programas federais para essas localidades?, disse. O crescimento do IDH desses três municípios foram centrados nos índices sociais, alcançando-se a média do Estado, mas, no entanto, a renda continua relativamente baixa, mesmo com algumas melhorias em relação a 1991, o que se explica pelos efeitos combinados dos recursos dos recursos da previdência social, principalmente a previdência rural; das transferências federais (Fundo de Participação dos Municípios); transferência estadual (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), mais os recursos dos programas sociais federais como o Programa Saúde da Família (PSF), Fundo de De-senvolvimento da Educação (Fundef) e programas compensatórios como Bolsa-Renda, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e outros que, juntos, representam mais de 90% da renda monetária dessas localidades. Péricles, que não vê mais possibilidade de expansão horizontal para o setor canavieiro, defende a imediata intervenção do governo federal para a alavancagem de Alagoas. ?Nosso Estado depende da União e eu não vejo outra saída, senão através do apoio financeiro da União. Sem esse apoio será difícil Alagoas se recuperar?, sustentou o economista, lembrando que o boom vivido pelo Estado nas décadas de 1970 e 1980 já acabou.

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