Economia
Agricultor conquista seu espa�o plantando grama em Atalaia
Tudo era cana. Planta feia sem graça que gera fortunas e misérias. Vida e morte na terra consumida pela monocultura em decadência. Mas, solo sagrado para um filho de Deus, trabalhador rural, pensador e jardineiro, de dom e de ofício. O cristão pisou o chão de Atalaia e, como dizem os antigos, ?atalaiou?, ou seja, observou, ficou de vigia, esperando a oportunidade para transformar aquela paisagem. Em busca do sonho da sua pequena terra prometida, Gilvan dos Santos Silva juntou a família, botou fé, pelejou e chegou lá. Desde então recebe ideias como ordens que não saem da cabeça. ?Plante grama, planta grama? é bem dizer um mandamento reforçado pela perseverança na sua labuta. Cuida de cada palmo do solo queimado e maltratado. Não corta, semeia. Não queima, cava, e um olho d?água mina. Troca a cana monótona por explosões de dracenas, ixórias, alamandas, rosas, buxinhos e crótons. Cura a superfície, então o verde vem à tona, aos tapetes, como maná que brota do chão em forma de grama. O cultivo de plantas ornamentais cresceu ao ponto do Gilvan ter que comprar terra de fornecedores de uma usina para expandir seu negócio. Começou com um hectare perto da casa de taipa onde morava, negociou uma nova área, construiu sua residência e adquiriu mais cinco hectares de plantações de cana. Ao lado da esposa, Rita de Cássia Oliveira, e da filha Rosa Emília, formam uma célula de agricultura familiar bem-sucedida.