Economia
Aqui n�s fazemos a engorda das plantas
A primeira dessas histórias é a do jardineiro que teimou para ver brotar flores em meio aos canaviais, pegou dinheiro emprestado para plantar grama e espera a hora de colher os lucros do chamado ?ouro verde? que prolifera no chão. ?O fazendeiro faz a engorda do gado. Aqui nós fazemos a engorda das plantas?, brincam Gilvan e Rita ao mostrar o viveiro de mudas para o gerente do Banco do Nordeste Júlio Monteiro. Hoje eles riem tranquilos porque a produção tem comércio garantido, mas nem sempre foi assim. A luta era grande para vender as plantas ornamentais, por consignação, em supermercados de Atalaia, Capela, Cajueiro, Pilar e região. ?Vinha dando tudo certinho, só que o transporte da lotação estava comendo o lucro?, observou Gilvan. O produto bom ganhava fama e conquistava clientes em Maceió, para projetos de jardinagem e decoração de ambientes. Mas, Gilvan precisava se livrar dos custos com transporte, melhorar as técnicas de produção e driblar atravessadores. ?No aperto da situação, chegou um tempo de crises de água, não tinha como manter as plantas e eu disse ?Rita, a única salvação que tem agora é plantar grama??, lembra o agricultor. ?A gente sofria para arrancar grama na foice e na enxada?, completa Rita. Com a dor, a criatividade de Gilvan começou a aflorar. Primeiro improvisou uma régua com ?um pedaço de ripa e quatro pregos enferrujados? para modelar as placas de grama de 40 centímetros de largura por 62,5 cm de comprimento. Com a técnica rudimentar, a família conseguia tirar 200 metros de grama por semana, bem pouco comparado aos mil metros por semana que consegue colher atualmente. As ideias pipocavam na mente de Gilvan, mas não bastavam apenas projetos e força de vontade. Era preciso ter dinheiro para executá-las.