Economia
Classe C faz manobras para equilibrar renda
São Paulo, SP ? Cortar o restaurante nas horas de lazer, mas garantir a TV por assinatura e a internet em casa. Reduzir as idas ao shopping, mas aumentar as compras no atacado. Manter o achocolatado de marca nobre, mas misturá-lo com outro, mais barato. Em maior ou menor grau, escolhas como essas já fazem parte do cotidiano de milhares de famílias brasileiras. Essas manobras foram identificadas em pesquisas recentes que acompanham hábitos da chamada nova classe média. Na avaliação de especialistas em consumo e em comportamento na base da pirâmide, as escolhas indicam que a classe C já começou a abdicar de algumas conquistas, consideradas menores, na tentativa de preservar outras, mais importantes. ?Pesquisas com a classe C sempre identificaram que o seu maior temor era, genericamente, perder as suas conquistas recentes?, diz Maurício Prado, sócio-diretor da Plano CDE, consultoria especializada em pesquisas sobre a baixa renda. ?O risco difuso virou realidade por causa da possibilidade de perda de emprego e de queda na renda: é preciso fazer escolhas?. Três levantamentos realizados neste início de ano pela Plano CDE traçam um retrato de como a classe C sente e reage à primeira crise econômica desde que ascendeu na pirâmide social. O mais recente, feito há três semanas, mostra que a maior preocupação de famílias com renda entre R$ 1.500 e R$ 2.500 é não ter dinheiro para pagar as contas ? contas essas que têm uma composição mais sofisticada. ?Há o smartphone, a TV por assinatura, a prestação do carro?, diz Prado. ?Há 15 anos, deixar de comprar sabão em pó de marca era perda de status, agora, já nem tanto?. Na reacomodação de prioridades, o celular, por exemplo, reina. A tarifa não é barata, mas ele não está entre os itens que já foram restringidos e só aparece no fim da lista de eventuais economias futuras. O salão de beleza, que viveu um boom, perde força, porque unha e cabelo podem ser feitos em casa a um custo inferior. O plano de saúde privado também começa a ser descartado ? bem ou mal, há o SUS.