Economia
Baga�o da cana atrai a aten��o de investidores
São Paulo, SP ? Atoladas em uma aguda crise há pelo menos sete anos, usinas de açúcar e etanol voltaram a atrair a atenção de investidores. Mas, dessa vez, o interesse de fundos e gestoras está no que era antes um subproduto do processo de produção dessas usinas: a energia gerada por meio do bagaço de cana. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, entre as que avaliam fazer aportes no setor estão a gestora canadense Brookfield, as americanas Lone Star e Black River, além da brasileira GP Investments. A energia por meio da biomassa, que responde por 4% do consumo do Brasil, está valorizada e é a única divisão lucrativa de usinas sucroalcooleiras, dizem essas fontes, lembrando a longa fase de ciclo de baixa dos preços do açúcar e do etanol. ?A cogeração é uma receita garantida para essas usinas, que negociam contratos de longo prazo, de 15 a 25 anos?, afirma Antonio de Padua Rodrigues, diretor da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). Maior operadora independente de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) do Brasil, a divisão de private equity da Brookfield está em conversas com o grupo indiano Renuka, que investe em cogeração e tem usinas em São Paulo e Paraná, com dívidas estimadas em R$ 1,4 bilhão. ?Entre construir uma PCH e comprar um ativo de biomassa pronto, é mais vantagem hoje adquirir uma usina?, disse uma fonte do mercado financeiro. ?O negócio ?açúcar e álcool? é plus, uma vez que vem quase de graça?, ressalta. Ao levar a usina, ainda se beneficia no longo prazo com a valorização do açúcar e etanol. Atualmente, o preço médio de leilão de energia ofertada por PCH está a R$ 210 por megawatt/hora e o de biomassa, em torno de R$ 270, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No mercado spot (à vista), o preço da energia de biomassa atingiu seu pico de R$ 822 no ano passado e hoje está em torno de R$ 320.