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Agricultura Familiar recebe investimento

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Pense num abacaxi. Sozinho, no meio da roça, debaixo de sol, num povoado da zona rural, a quilômetros de estrada de barro da cidade mais próxima. Só mesmo sendo um herói para chegar ao prato de uma criança em Maceió, descascado, cortado em rodelas e gostoso com o sabor da natureza de Deus. Este é o desafio do agricultor familiar. Sozinho, é quase impossível plantar, colher, produzir, estocar, transportar e vender a um preço justo. O sol até queima a cabeça, mas nasce para todos, de graça. Clara como a luz, vem a esperança do associativismo. Juntas, as famílias têm força e proteção. Os frutos da cooperação não tardam a aparecer, ficam mais viçosos, abrem porteiras, quebram barreiras e conquistam mercados. Quem poderia supor que roceiros do Sítio Prata, da Baixa do Capim e do povoado Pé Leve Velho entrariam para a selecionada carteira de clientes do BNDES? Não faz muito tempo que o então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) sequer tinha o ?S? de Social na sigla. Financiava apenas grandes corporações, indústrias e megaprojetos. A Agricultura Familiar de Alagoas cresceu com a coletividade e se tornou importante ao ponto de entrar pela porta da frente do banco, com a liberação de mais de R$ 540 mil em investimentos de caráter não reembolsável. A eficiência dos projetos e documentações apresentadas foi fundamental para superar a burocracia e garantir os recursos para onze associações no interior do Estado. O resultado do edital de chamada pública divulgado este mês é comemorado pelo superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Elizeu Rêgo, que aponta Alagoas como pioneira neste tipo de financiamento. Segundo ele, Alagoas ocupa hoje o segundo lugar no ranking de investimentos do BNDES em Agricultura Familiar. E este sucesso tem uma razão de ser porque tudo começou por aqui. ?Em 2008, uma missão do banco veio ao Palácio (do governo) para informar que queria ter essa parceria direta com os agricultores, então a gente deu a ideia de fazer o intermédio pela Conab, que tem uma superintendência regional aqui no Estado?, explica.

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