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Carpinteiro vai deixar of�cio por falta de madeira

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Um dos poucos que ainda sobrevivem do fabrico de carros de boi é o carpinteiro Valter Alcântara, de 84 anos. Ele é o mais famoso construtor deste tipo de veículo na região de Santana do Ipanema, antigo polo industrial do sertão, com cinco serrarias e mais de 20 carpintarias. Hoje, o setor não é economicamente significativo. No passado, faziam de 20 a 25 carros por ano, uma média de dois por mês. A pequena indústria garantia trabalho para vinte pessoas. Hoje, tem apenas um ajudante, Benedito dos Santos, de 58 anos. Valter vai deixar a profissão não pela idade, mas por falta de matéria-prima e de compradores. Ao deixar a lavoura, entrou no ramo incentivado por um dos irmãos. Revela que já ganhou dinheiro e gastou muito porque madeira sempre foi um produto caro e ?agora está mais cara ainda porque vem de longe?. Os carros de boi eram feitos com madeiras típicas do Nordeste: angelim, maçaranduba, sucupira, craibeira, pequi. Agora, quando aparece um trabalho, tem que comprar madeira do Pará e com certificado dos órgãos responsáveis pela fiscalização. ?Há muito tempo não faço nem dois carros por ano. Sobrevivo recuperando os carros velhos. Já deveria ter deixado a profissão. Não compensa mais trabalhar com madeira?, desabafou Valter, ao revelar que o carro de boi completo, de madeira boa, com os bois, custa, em média, R$ 10 mil.

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