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Rede tem 2 mil hectares invadidos em Alagoas

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O espólio da extinta Rede Ferroviária Federal não tem apenas trilhos, locomotivas, vagões e prédios; também tem pequenas fazendas que foram se formando através de posseiros, como na área de vinte tarefas que a Refesa vendeu por 18 mil reais no povoado de Bittencurt, em Atalaia, a 45 quilômetros de Maceió. Sobre os imóveis, apesar de terem sido construídos há mais de cinqüenta anos, a maioria está conservado. ?Os que estão no chão é porque levaram as linhas e as telhas?, denunciou Argemiro dos Santos, outro ferroviário aposentado, que se revolta com o descaso do governo com o patrimônio público. O besta ?Trabalhei vinte e oito anos na Rede, me aposentei e entreguei a casa em que morava, pensando que o governo iria cuidar do patrimônio. Hoje, minha família me chama de besta porque entreguei a casa da Rede?, diz Argemiro, apontando a antiga residência, na vila construída em frente à estação de Lagoa do Rancho. Na casa em que Argemiro morou vinte e oito anos, hoje vivem dona Cícera, o marido João Ciríaco, e seis filhos pequenos. A família sobrevive de donativos e da renda do Bolsa-Escola e do Peti, programa do governo federal para combater o trabalho infantil. Somando tudo dona Cícera diz que consegue retirar 200 reais por mês. ?Se eu fosse pagar aluguel, não sobraria nada para a alimentação das crianças?. Essa realidade é geral nos mais de cem imóveis que foram invadidos. ?Ninguém aqui tem condições financeiras de pagar aluguel de casa. São todos pobres, vivem da caridade dos outros. E até podem se julgar privilegiados, porque pior é não ter onde morar?, explica a professora Lourdes da Silva, aposentada, filha de ferroviário e que defende a distribuição das casas e dos terrenos da Rede com os posseiros. O exemplo ?Esta aqui mesma?- diz, apontando dona Carlinda ??vivia perambulando pelas ruas. Não tinha casa, não tem mais família, morreram todos e ela ficou só. Foi morar na estação, que estava fechada há mais de vinte anos. Tirar uma pessoa dessas de onde ela está é a mesma coisa que condená-la à marginalidade. O que eu puder fazer para garantir uma casa para ela, eu farei. Se possível apelo até para o presidente da República?, disse a professora, mostrando o nível de miséria que atinge o povoado. A Rede Ferroviária garante que o patrimônio da empresa será preservado, mas em alguns casos a Refesa chegou tarde demais: a Estação de Urupema, também localizada em Atalaia, simplesmente sumiu do chão e ninguém sabe quem levou os tijolos, as telhas e a madeira de lei adquirida pelos ingleses.

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