Economia
CFN usa caminh�es para transportar trens
ROBERTO VILANOVA Arapiraca ? A Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) já começou a cumprir a ameaça de extinguir o ramal ferroviário de cargas em Alagoas ? duas locomotivas e vinte vagões que serviam para o transporte de argila, foram levados em cima de caminhões para Recife. As locomotivas e os vagões estavam ociosos no pátio de manobras da Estação Ferroviária de Arapiraca, impedidos de circular por falta de condições na linha férrea. Eram as últimas unidades de tração e cargas que ainda estavam em Alagoas ? no ano passado, a CFN também levou para Recife as locomotivas que operavam em Maceió. Para colocar as locomotivas e os vagões sobre caminhões especiais, a CFN teve de improvisar uma rampa na linha auxiliar em Arapiraca. O trem de carga, que operava desde 1992, levava argila de Propriá-SE para a indústria de cerâmica em Recife, mas há quatro anos deixou de circular. Ociosos A gerência Comercial da CFN em Recife negou que a empresa esteja desmontando a estrutura ferroviária de cargas em Alagoas, mas não soube informar quando o trem voltará a circular. ?Isso ainda depende dos entendimentos que estamos mantendo com o governo federal, o governo de Alagoas e empresários?, limitou-se a comentar, por telefone, o funcionário da CFN contactado ontem pela GAZETA. A direção da CFN explicou que a empresa não poderia mais acumular prejuízos com a ociosidade dos vagões e das locomotivas que estavam em Alagoas. ?Sabe quanto a empresa já acumulou de prejuízo com o trem parado? É uma soma incalculável, considerando-se o tempo da interrupção do tráfego?, disse, referindo-se aos estragos causados pelas chuvas e as cheias dos Rios Mundaú e Canhoto. Quatro anos depois, a empresa não sabe quando o trem voltará a circular. Destruição A CFN calculou em R$ 150 milhões o custo para colocar o trem de carga novamente nos trilhos, mas diz que não pode bancar o custo sozinha e pediu ajuda financeira ao governo federal ? que negou, alegando a cláusula contratual obrigando a empresa a cuidar da recuperação da via férrea. Segundo o parecer do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a CFN, ao arrematar a Rede Ferroviária, se comprometeu a recuperar a via férrea. A direção da empresa contesta, alegando ter sido vítima de uma tragédia ?e tragédias, como as enchentes provocadas pelo excesso de chuva, não podem ser evitadas?. O BNDES também alega que a empresa só deseja investir nos Estados onde há rentabilidade, ou seja, lucro certo, o que não é o caso de Alagoas. Mas vários empresários alagoanos do setor açucareiro investiram em terminais de cargas.