Economia
AL assume vanguarda na gera��o de energia
Fogo, terra, água e ar. Os quatro elementos da Criação sustentam a sina humana. Da pré-história à era digital, o desenvolvimento sempre esteve relacionado à manipulação destas fontes de vida. Tudo tem limite, menos o poder divino de revelar que o sol nasce para todos, a chama transforma, o solo brota, os rios correm e o vento renova. Toda essa energia define os vetores da economia mundial. No Brasil, em tempos de crise hídrica, energética, política e econômica, um pequeno e pobre Estado começa a assumir a dianteira da geração elétrica com soluções inovadoras. Alagoas desponta como modelo energético para o País e pode se tornar uma referência em desenvolvimento econômico a partir de matrizes alternativas. Dos raios solares ao gás natural, do eucalipto ao bagaço de cana, nada se perde, tudo se transforma: em progresso e ações pioneiras. A primeira fábrica de placas de energia solar do Brasil deve começar a funcionar, em janeiro, no Polo Industrial de Marechal Deodoro. Antes mesmo de se instalar, a empresa Pure Energy já recebe uma explosão de demanda, com 150 projetos em andamento. Uma nova cadeia produtiva se forma em torno dessa luz que vem do sol e pode gerar até 7 mil empregos, em áreas que vão da agricultura familiar a grandes indústrias. Uma experiência pioneira no mundo produz o etanol de segunda geração em São Miguel dos Campos. A matéria-prima é o bagaço, que há mais de uma década gera energia elétrica para usinas de Alagoas, numa revolução que transformou o então setor sucroalcooleiro em sucroenergético. A expertise abriu alas para novos insumos, como a palha da cana e, principalmente, o eucalipto. O Estado alcança uma produtividade bem acima da média nacional, ao ponto de um expoente do setor, como a Usina Caeté, em Cachoeira do Meirim, trocar o canavial pelo eucalipto em quase 60% das terras. Antes de tudo é uma opção para a crise na produção de açúcar e álcool, mas a geração de energia também interage com outras cadeias produtivas. A capacidade de produção do gás natural já chega hoje a 1,5 milhão de metros cúbicos por dia, com uma riqueza do subsolo alagoano que ainda tem muito a ser explorada. Tanto que a Algás avança com a duplicação do gasoduto até o Polo, está em fase de licitação para implantar uma nova linha de Penedo a Arapiraca e planeja construir uma usina termelétrica a gás. A empresa de economia mista com participação do Estado foi a primeira do País a assumir o seu próprio sistema de distribuição. Algo peculiar e inerente à geração de energia é sua interface com outras cadeias produtivas. Por exemplo, o uso de energia solar pode alavancar a cadeia da bacia leiteira, no Sertão, hortifrutigranjeiros no Agreste, construção civil, comércio e indústria. O plantio de eucalipto é uma alternativa às usinas para o plantio em área de encostas, gera energia, aquece fornos e pode gerar uma série de oportunidades no setor de movelaria, com produção de placas de MDF e MDP.