Economia
Bancos lucram mais com juros ao consumidor
Brasília - Os ganhos obtidos pelos bancos nos empréstimos a pessoas físicas são mais do que o dobro dos alcançados nos financiamentos concedidos a empresas, segundo levantamento do Banco Central . A pesquisa mostra o comportamento do ?spread? bancário ao longo do ano de 2002. ?Spread? é o nome dado à diferença entre aquilo que os bancos pagam para captar dinheiro no mercado e os juros efetivamente cobrados dos clientes nas operações de crédito. Em dezembro passado, os bancos cobravam juros de 83,5% ao ano para emprestar dinheiro para pessoas físicas. Desse total, 54,5 pontos percentuais equivalem ao ?spread?. No caso das empresas, o quadro é diferente: os juros chegam a 50,5%, sendo que o ?spread? responde por 25 pontos percentuais. Os altos ?spreads? explicam as elevadas taxas de juros. Em dezembro, por exemplo, a taxa média cobrada no cheque especial ficou em 163,9% ao ano, a mais elevada desde junho de 1999. Desse total, 142,2 pontos percentuais correspondem ao ?spread?. Em outras palavras: o banco consegue captar dinheiro no mercado pagando juros médios de 21,7% ao ano e repassa os recursos aos seus clientes a uma taxa de 163,9% ao ano.