Economia
Crise afeta mercado de seguros
Embora o mercado de seguros tenha crescido 26% em Alagoas, no acumulado dos últimos doze meses o carro-chefe desse segmento sofreu uma queda de 15% nos primeiros seis meses de 2015. O seguro de veículos ainda é o mais procurado e vendido no Estado, representando cerca de 70% dos contratos, mas vem perdendo força desde o início da crise do setor automotivo. Para se manter o mais distante possível da crise, os corretores de seguros têm lançado mão do jogo de cintura. A palavra de ordem é negociação. Antes mesmo de a crise se instalar, os corretores começaram a montar estratégias para não perder clientela. O Sindicato dos Corretores de Seguro de Alagoas (Sincor-AL) não nega que a crise financeira esteja instalada e cita, pelo menos, duas medidas para enfrentar o momento de instabilidade. A primeira é motivar os clientes a contratar o produto (ou renová-lo) com a possibilidade de aumentar a quantidade de parcelas do pagamento. Também está sendo possível migrar de área de atuação. Em vez de oferecer apenas o seguro de automóveis, os corretores estão abrindo o leque de variedades de produtos disponíveis. O resultado está até surpreendendo a categoria. ?A crise existe, estava programada, mas não chega a ser tão forte no mercado de seguros?, avalia o presidente do Sincor-AL, Edmilson Ribeiro. ?O que sempre sabemos é que, quanto maior a crise, maior a necessidade de se ter seguro?. Segundo Ribeiro, o mercado tem se mantido firme, mesmo com a queda nas contratações para os automóveis. ?Se o mercado conhece, consome. Um dos exemplos é o seguro para smartphones, que antes não se tinha oportunidade. Com relação ao seguro de carro, somente foram reduzidas as contratações para carros novos. A venda de seminovos e usados ainda tem um mercado em crescimento. Mesmo assim, percebe-se que nos últimos seis meses as vendas de seguros de veículos caíram cerca de 15%?, admite. Ribeiro explica que o mercado de seguro automotivo vinha em franco crescimento há anos, devido às facilidades de compra de carros, além da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Recentemente, o preço dos carros populares aumentou bastante e vários fatores provocaram a debandada da clientela. ?Dez anos atrás, um carro popular custava R$ 20 mil. Hoje, vale entre R$ 30 mil e R$ 35 mil. O custo do seguro também sofreu reajuste para poder compensar o valor elevado das peças de reposição. Todos os anos, o preço do seguro tem aumentado cerca de 6% por ano, em média, sempre abaixo da inflação. Este ano, o mercado ainda está avaliando os últimos seis meses, mas ainda não tem previsão. Acredita-se que, no próximo ano, o reajuste seja superior ao percentual. Vai depender de como vai se comportar o mercado?, presume.