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Economia

Governo pagou R$ 113,9 bi de juros em 2002

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Brasília - O setor público consolidado (Tesouro, BC, Previdência, Estados, municípios e estatais) gastou R$ 113,978 bilhões, o equivalente a 8,43% do PIB (Produto Interno Bruto), em 2002, com pagamento de juros da dívida. Em 2001, o gasto com juros totalizou R$ 86,443 bilhões (7,19% do PIB). Do total de juros pagos, R$ 62,091 bilhões foram pagos pelos governos regionais (Estados e municípios); R$ 41,948 bilhões pelo governo central (Tesouro, BC e Previdência); e R$ 9,939 bilhões pelas empresas estatais. O superávit primário (receitas menos despesas sem incluir gastos com juros) obtido no ano, de R$ 52,364 bilhões, cobriu parte desses gastos com juros. No entanto, a diferença, R$ 61,614 bilhões (4,38% do PIB), foi o déficit nominal das contas públicas em 2002. Isso representa a necessidade de financiamento do país no ano passado, que foi superior aos R$ 42,788 bilhões (3,49% do PIB) registrado em 2001. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou que esse resultado nominal foi influenciado negativamente pela alta da taxa de juros e do câmbio. A desvalorização cambial chegou a 52,3% em 2002. ?É de se esperar um recuo desse resultado nominal em 2003, se tivermos um cenário e estabilidade, porque em 2002 houve uma volatilidade forte?, afirmou Lopes. BC perde R$ 17 bi O Banco Central perdeu R$ 16,898 bilhões em 2002 com as operações de ?swap cambial?, o que equivale à diferença entre a valorização do dólar e a alta dos juros no ano, acrescida de uma taxa de remuneração. O ?swap? é uma operação realizada para liquidação em data futura que implica na ?troca? de resultados financeiros entre duas partes durante um determinado período. No caso do ?swap cambial?, no fim do prazo do contrato, o BC recebe a variação da taxa de juros DI no mercado futuro durante o período em que vigorou o contrato e pagará ao investidor a variação do dólar ocorrida no mesmo período, além de uma taxa de remuneração com base anual. Como a variação do dólar normalmente é superior a dos juros - em 2002, enquanto os juros passaram aproximadamente de 19% ao ano para 25% (seis pontos, ou 31% de variação na taxa), o dólar subiu 53,2% - o BC acaba devedor para o mercado. A operação, entretanto, ajuda a autoridade monetária a financiar a dívida.

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