Economia
Crise faz com�rcio fechar 350 lojas em dois anos
Em dois anos, o comércio varejista de Alagoas fechou 350 empresas ? entre micro e pequenas ? e demitiu cerca de oito mil trabalhadores, segundo dados divulgados ontem pela Associação Comercial de Maceió. Os empresários chegaram a um ponto de exaustão. É, como define o presidente da entidade, Kennedy Calheiros, a situação da classe diante da crise econômica nacional e de novos pacotes financeiros que impõem o aumento de tributos no País. Na tentativa de dar um basta a uma situação que segundo o empresariado ultrapassa o limite do suportável, a entidade reuniu ontem pela manhã associados para definir um conjunto de medidas que será transformado em documento a ser entregue à bancada federal de Alagoas para que interceda junto ao governo federal e mostre o posicionamento do segmento local frente à carga de impostos que está levando o setor à bancarrota. Na próxima quinta-feira, ou no máximo na sexta, segundo Kennedy Calheiros, o texto deve estar pronto e entre os dias 13 ou 20 de outubro, a Associação reunirá em sua sede, no bairro de Jaraguá, a bancada representativa de Alagoas em Brasília para mostrar o posicionamento da classe. Trinta e uma entidades integram a Associação. Entre elas, o sentimento é o mesmo: ?Basta. A categoria não suporta mais o aumento de impostos?. ?Ontem [quarta-feira, 30] conversei com mais de 100 empresários e eles são unânimes: a capacidade contributiva do setor está exaurida. Primeiro, o governo tem que fazer a parte dele e, depois que ajustar, dizer que conta é que sobra para a sociedade pagar e não porque tem um buraco aumentar imposto?, afirmou Kennedy Calheiros. O empresário entende que primeiro o Estado [governos federal, estadual, municipal] tem que administrar e fazer a gestão do produto dele. ?Para se ter ideia, da Constituição de 1988 para cá saltamos de uma base tributária de 21% para 37%, enquanto os serviços, hoje, pelo que notamos, estão menos eficientes?. O empresário questiona ainda o aumento da carga tributária num momento de crise e sem que primeiro se faça o que ele chama de ?consertar sua casa, fazer os cortes necessários, mexer onde tem que mexer?, não é a solução. ?O imposto ele é pago por todos aqueles que produzem, mas quem termina contribuindo para isso é toda a população?, afirma.