Economia
Promessa de carreira bem sucedida motiva escolha pela engenharia
A promessa de uma carreira bem-sucedida levou muitos indecisos escolher a engenharia nos últimos anos. ?Sempre gostei de química, e ouvia dos meus professores que a engenharia ia crescer muito e que os salários eram bons, então cursei engenharia química?, conta Caroline Lopes, de 23 anos. Desde que se formou, no ano passado, ela já se cadastrou em vários sites de vagas e entregou muitos currículos, mas ainda não conseguiu um emprego. ?Na área química, tem muita indústria fechando, pois o Brasil não consegue se manter competitivo, ainda mais com essa crise?, diz. ?Tenho uma amiga que ainda está na faculdade, e o professor diz que, no ano que vem, será pior.? Enquanto espera uma oportunidade, Caroline trabalha na empresa do pai, na área administrativa. Com a escassez de vagas, muitos engenheiros estão partindo para outras áreas ou montando negócios próprios. ?A engenharia tem um espectro bastante amplo e permite que a pessoa possa trabalhar administrando outras áreas?, diz Pinheiro. Para ele, porém, a crise não tomará o mesmo rumo dos anos 1980, quando ficou famoso o engenheiro que, sem perspectiva de atuar na profissão, abriu uma lanchonete na Avenida Paulista, em São Paulo, e a batizou de ?O Engenheiro que Virou Suco?. ?Lá atrás, quando o engenheiro virou suco, não havia um entendimento de que a engenharia poderia ter uma responsabilidade muito grande no retorno do crescimento?, diz. ?Vemos agravamento com essa crise e a falta de emprego, mas esse quadro pode ser revisto se a política econômica mudar. A iniciativa privada só vai investir se o governo investir.? ACP