Economia
Produ��o de leite aumenta 550%
A crise é seca, dura e maltrata. Em tempo de vacas magras para todos os setores da economia, sobrevive melhor quem se organizou para superar os anos ruins. A passagem bíblica da revelação dos sonhos do Faraó por José do Egito é uma inspiração para a cadeia produtiva do leite em Alagoas. O setor que hoje abriga 40 mil pequenos produtores fez o dever de casa nos anos de vacas gordas, em que o País crescia até 7% ao ano, e deve aumentar a sua produção em 550% a partir de 2016. Este ?boom? do leite é amparado em anos de pesquisas e consultorias, que ganham força agora com incentivos tributários, melhoramento genético e instalação de unidades industriais. Só a Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) calcula elevar o fornecimento de 80 mil litros/dia para 440 mil litros/dia, passando de 2.500 para 10 mil cooperados, num prazo de cinco anos. A força motriz desta ?correnteza branca? que avança contra a maré da recessão brasileira é uma grande fábrica no município de Batalha. O início das obras está previsto para janeiro, e a produção diária de toneladas de leite em pó, leite condensado e doce de leite deve começar seis meses depois. Muitas águas rolaram e até o leite foi derramado para o setor alcançar este sonho. Desde a falência da fábrica Camila, em 2008, o pequeno produtor sofre sem escapatória. Em anos de seca, falta leite e o rebanho padece. Em anos de abundância, falta preço e o prejuízo aparece. Chegou ao cúmulo de ficar tão barato que os donos de vacas tinham de doar ou mesmo jogar o leite fora porque o preço não cobria os custos de produção.