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Usinas perdem 32 milh�es de toneladas de cana com a crise

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Alagoas é um pedaço de terra abençoado por Deus, privilegiado por belezas naturais que dão jus ao codinome Paraíso das Águas. Não tem vulcão, terremoto ou tsunami, mas sofre um fenômeno (não natural) de proporções magnânimas, que abala 350 mil hectares do seu território de modo ininterrupto. Raízes daninhas proliferam desde o tempo dos engenhos, queimam terras, esmagam destinos, moem sonhos e apodrecem com a pior crise que o setor sucroenergético do Estado já enfrentou, numa perda média de 8 milhões de toneladas cana por ano. Com esta safra do biênio 15/16, a ?tempestade? que sopra contras as usinas deve abocanhar a produção de 32 milhões de toneladas a menos em quatro anos consecutivos de crise. No olho do furacão, o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar) enxerga tudo que roda ao seu redor, segura-se firme e tenta dar o impulso necessário para alçar voos em horizontes mais serenos. É preciso ter força. ?O setor vive um cataclismo, e nós estamos entrando num mergulho de incerteza?, constata o presidente do Sindaçúcar, Pedro Robério Nogueira. Nas três últimas safras, os usineiros amargaram um afundamento (calculado por eles) de R$ 3,5 bilhões. ?Equivale à metade do orçamento fiscal do Estado?, lembra o representante da indústria canavieira. Até o ano que vem, esta perda de receita pode se aproximar dos R$ 5 bilhões. No apogeu do império da cana, Alagoas já teve 37 usinas, quase todas começando a operar no mês de setembro. Nesta safra, metade do mês de outubro praticamente passou e apenas quatro fábricas acenderam as caldeiras. ?Quinze estão sem moer, uma parte trabalha para iniciar no final de outubro, duas ou três devem ficar só para a primeira quinzena de novembro?, estima Pedro Robério. A média histórica de 30 milhões de toneladas declinou para uma oscilação entre 21 e 23 milhões de toneladas nas três últimas safras. Nem mesmo as previsões mais otimistas arriscam que a produção atual alcance a do ano passado, que já foi medonha. Até mesmo grandes expoentes do setor, como a Usina Santo Antônio, que trabalha desde agosto, calcula que o resultado será mais baixo porque choveu pouco, entre abril e maio, e as canas pararam de crescer.

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