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Macei� tem 50% das panifica��es clandestinas

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TÂMARA ALBUQUERQUE A população de Maceió tem consumido, cada vez mais freqüentemente, pão sem qualidade, com irregularidades no peso e fora dos padrões sanitários. Sem uma fiscalização efetiva por parte dos órgãos públicos, as panificações informais, que vivem na clandestinidade, já representam 50% do total dos estabelecimentos instalados na cidade. É prática comum fraudar o alimento mais popular da mesa do maceioense para reduzir custos, manter preços e aumentar as vendas. O consumidor, além de lesado, corre o risco de ter problemas de saúde pela ingestão de produtos fabricados com matéria prima de origem duvidosa, uso de substâncias químicas e sem padrão de higiene. A capital alagoana possui pouco mais de 700 panificações, metade delas funciona na clandestinidade. A maioria dos estabelecimentos está na periferia e não é alvo de fiscalização pelo poder público. A ?informalidade? não prejudica apenas o consumidor, segundo avalia o presidente do Sindicato das Panificações do Estado de Alagoas, Valdomiro Feitosa. Os funcionários desses estabelecimentos não costumam ter os direitos trabalhistas respeitados e cofres públicos deixam de arrecadar impostos. Apesar das perdas, reclama o sindicalista, o governo não parece ter interesse em reverter o quadro. O sindicato não quer o fechamento das panificações clandestinas, segundo garante seu presidente. A briga é pela regularização dos estabelecimentos e conseqüente fortalecimento do setor. Nos apelos que tem feito a órgãos do governo, como Secretaria Estadual da Fazenda, Vigilância Sanitária e até à Delegacia Regional do Trabalho, o sindicato enfatiza a importância de desencadear uma operação para orientar os empresários a saírem da clandestinidade. ?Não sinto interesse pela proposta. A alegação é de que não há pessoal o suficiente para manter uma fiscalização?, confessa Valdomiro. Preço baixo O consumidor também tem sua parte de culpa no processo de aumento da clandestinidade, apesar de ser a maior vítima dele. Normalmente, ele ignora os detalhes visíveis que indicam que o estabelecimento funciona na informalidade. A falta de higiene e de equipamentos nas padarias é apenas dois deles. O preço do pão, no entanto, talvez seja o maior indício de que algo ?errado? está acontecendo no estabelecimento, na avaliação de Valdomiro. Apesar da alta da farinha do trigo e outros insumos, o pãozinho está sendo comercializado em Maceió pelo preço médio de R$ 0,20 e R$ 0,25 a unidade. Na periferia, no entanto, esse valor cai até para 50%. É fácil encontrar o pãozinho por R$ 0,15 e R$ 0,10 a unidade. ?Para vender um pão neste preço, só funcionando na clandestinidade? denuncia o sindicalista. Trocando em miúdos, significa dizer: colocar no mercado produto sem qualidade. Além do uso de ingredientes de origem duvidosa, o pão barato pode ser fabricado com a adição de substâncias químicas proibidas. Mas a irregularidade mais praticada é a redução no peso para compensar o preço baixo. Em março, o sindicato promove em Maceió um fórum nacional para discutir essas questões O evento será realizado no período de 13 a 15, no Maceió Mar Hotel, com a presença de representantes de associações e sindicatos de panificações do Norte e Nordeste. Prestigia as discussões o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação, Marcos Salomão.

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