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Economia

Concentra��o de renda gera exclus�o e pobreza

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O novo livro de Fernando Lira, intitulado O Modelo Alagoano de Desenvolvimento: Privilégio, Exclusão e Pobreza, dedica um capítulo inteiro à questão do modelo econômico e disseca as mazelas do padrão econômico tradicional adotado no Estado, e que, segundo o economista, é responsável pelo permanente estado de miséria em que foi submetida a população alagoana. Isto explica o fato de que mesmo possuindo um grande potencial agrícola, turístico, de recursos naturais e humanos, Alagoas sempre registrou as piores taxas de ocupação produtiva de sua população. ?Mesmo nas décadas de 60 e 70, quando os investimentos federais eram altos, a população ocupada formalmente era pequena; os rendimentos baixos e a emigração em direção ao Sudeste, muito elevada?, destaca Fernando Lira. Ele lembra que a força de trabalho do Estado é relativamente pequena, com uma taxa de atividade de apenas 54,9% das pessoas em idade ativa, gerando um quadro de miséria que em 2000 chegou a 44,43% do total da população com renda de até R$ 80,00. ?Na verdade ? explica o professor da Ufal ? essa pobreza é historicamente conhecida, mas ela se agrava a partir da segunda metade da década de 80, quando a economia brasileira entrou em crise financeira, reduzindo drasticamente as transferências de recursos para Alagoas e o setor privado e, a partir daí, inicia-se o que viria a ser o mais longo processo de estagnação do setor sucro-alcooleiro e de crise fiscal do Estado, desaquecendo todas as outras atividades econômicas e inibindo a ação dos setores público e privado na geração de ocupações produtivas. Crise intensificada Mas é a partir de 1990 que a crise de emprego e renda se instala em todos os setores da economia alagoana: a agropecuária estagnada, o parque industrial de produtos intermediários e de consumo duráveis pouco expressivo e o setor de serviço, que representava a grande esperança de ocupação e renda da população ativa, não responde às expectativas. Dados oficiais de 1999 mostram que 79% da população ocupada na prestação de serviços estava em atividade de baixa produtividade e renda. Para completar a desgraça, de 1992 a 1999, o Estado foi o maior desempregador, dispensando mais de 50 mil trabalhadores formais contra pouco mais de 15 mil do setor privado. Os estudos de Fernando Lira revelam que no campo a informalidade é ainda maior: 86% dos ocupados são trabalhadores de baixa produtividade e 69% dos empregados não têm carteira de trabalho assinada. Do total de ocupados no setor agrícola, 79,5% são trabalhadores temporários e percebem até um salário mínimo. No total, em 1999, a agropecuária tinha a maior proporção de mão-de-obra ocupada em atividades informais. Além de empregar pouco, Alagoas é também o estado com maior percentual de analfabetos do país. No meio rural, 45% da população economicamente ativa é analfabeta. No espaço urbano, o Estado tem 53,04% de analfabetos funcionais em 1999 e 58,4% em toda população.

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