Economia
Modelo econ�mico condena Alagoas � mis�ria
FERNANDO ARAÚJO O atual modelo de desenvolvimento implantado em Alagoas é o mesmo desde a época do engenho bangüê e mantém a lógica de privilegiar os mais ricos em detrimento dos mais pobres, condenando a maioria da população a viver em permanente estado de miséria. Nem mesmo o aumento na transferência de renda das regiões mais ricas do País tem sido capaz de reverter esse quadro de pobreza endêmica e de indigência social a que está submetida a quase totalidade dos alagoanos. O padrão econômico tradicional é essencialmente de natureza patronal e concentrador de riqueza, o que leva o Estado a liderar o ranking dos piores indicadores sociais e ostentar o menor índice de desenvolvimento humano do País. Após 12 anos administrando a Capital e quatro anos governando o Estado, com mais quatro da reeleição, o PSB - Partido Socialista Brasileiro - ainda não apresentou um novo modelo econômico para Alagoas. ?Isto acontece porque o PSB segue a mesma política dos demais partidos, cujos caciques têm se perpetuado no poder pelo clientelismo, paternalismo e outras práticas responsáveis pelo atraso do Estado??, diz o economista Fernando José de Lira, ao analisar as causas do subdesenvolvimento de Alagoas e as conseqüências dessa política que levou o Estado a ingressar no terceiro milênio com boa parte de sua população na humilhante condição de miserável. Lira, que é professor da Ufal e consultor do Sebrae, lembra que ?a administração concentrada e o governo coronelista do PSB impõem aos programas resultados pífios e viram indústrias da seca, da fome, do analfabetismo, da violência e da miséria, necessitando se manter nesse ciclo vicioso para garantir os privilégios dos mais ricos?. Ele destaca que, por conta dessa política paternalista, 56% da população alagoana vive em condições de risco social; e quanto maior é o volume de recursos federais injetados no Estado, mais o povo padece de necessidades elementares para manter o nível fisiológico de subsistência. Estudo Fernando Lira, que está concluindo um estudo sobre o modelo de desenvolvimento de Alagoas, alerta que a concentração de renda e a alocação inócua dos recursos públicos federais não permitem acabar com a miséria. Ele informa que do montante de recursos federais repassados ao Estado nos últimos dez anos, 54% foram apropriados pelos 10% da população e apenas 5,6% distribuídos, de forma concentrada, nos períodos eleitorais, ficaram com os 40% mais pobres. ?As regiões mais ricas do País, particularmente o Sudeste, estão transferindo renda, via pesada carga tributária, para as elites e a classe média alta de Alagoas, na crença de que estão ajudando quem necessita??, destaca o economista alagoano. A conseqüência desse modelo concentrador é a vergonhosa situação em que se encontra o Estado em relação aos índices que medem o desenvolvimento humano e a exclusão social. Comparando o Índice de Desenvolvimento Humano de 1991 e 2000, Alagoas é o Estado que apresentou o IDH mais baixo do País. Em 1991 era o penúltimo e em 2000 passou a ser o último. ?Maceió ? que vem sendo administrada pelo PSB há 12 anos ? tinha, em 1991, um IDH de 0,744 e em 2000 passou para 0,739, apresentando uma variação negativa de -0,005. Dos 102 municípios alagoanos, 49 apresentaram redução significativa no ranking de 2000, em relação a 1991, sobretudo na região semi-árida??, informa Fernando Lira. Ele esclarece que essa deterioração das condições de vida nada tem a ver com a falta de recursos financeiros e está relacionada a quatro fatores fundamentais de difícil reversão: as verbas federais utilizadas nesse período seguiram critérios essencialmente políticos.