Economia
Demitidos este ano fazem bico para garantir sobreviv�ncia
Rio de Janeiro, RJ ? No setor da construção havia sete anos, Cláudia Alves, de 43 anos, era carpinteira e trabalhava com carteira assinada. Há dois meses, porém, ela foi demitida de uma obra na Barra da Tijuca, no Rio; a justificativa dos chefes foi a crise do setor. Agora, vende batatas fritas à noite no bairro do Cordovil, onde mora com o marido, a filha e o neto, na zona norte da cidade. ?Tive de cortar o gasto no supermercado. Antes, comprava sorvete, outros supérfluos. A vida estava mais folgada, mas agora... Não estamos passando fome, mas diminuiu o poder de compra?, conta ela, para quem a insegurança da informalidade é a maior perda. ?Quando tem o emprego fixo, com carteira, é tudo certinho, tem hora extra. Além disso, ganha mais.? A situação de Cláudia é um exemplo do prejuízo arcado por quase 1 milhão de brasileiros que foram demitidos do emprego formal nos últimos 12 meses. Muitos vêm recorrendo a bicos para pagar as contas. Sem a recuperação da economia, o Brasil fica cada vez mais longe de estancar a perda na qualidade do mercado de trabalho conquistada na última década.