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Lixo eletr�nico vira neg�cio

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Objetos de desejo e sonhos de consumo se tornam descartáveis com a velocidade da luz. Pode ser ainda mais rápido, no ritmo da evolução tecnológica, fugaz. O que fazer com um videogame Odissey, um gravador de fita K7 daquele tipo horizontal ou um videocassete Betacan (modelo anterior ao VHS)? A questão fica mais difícil quando traz outra pergunta agregada: e o que não fazer? ?Jogar no lixo? é uma resposta que pode ser aplicada nas duas questões, mas faz uma diferença gigantesca para a preservação do meio ambiente e o futuro do planeta. Algo em torno de 40 milhões de toneladas por ano. Relíquias das décadas de 1970 e 80 ainda são encontradas hoje porque algumas pessoas não quiseram jogá-las no lixo de qualquer maneira. Imagine o acumulado de décadas de computadores, TVs, pilhas, geladeiras, celulares, baterias e todo tipo de sucata eletroeletrônica. Daria para entupir um oceano inteiro de tralhas, com material corrosivo e elementos químicos de toda sorte. O ex-porteiro Jadiel Lira sempre se preocupou com isso, mas não sabia como fazer o descarte adequado, nem havia alguém que fizesse este trabalho. Após ver numa reportagem do Jornal Hoje que muita gente enfrentava o mesmo drama, uma luz se acendeu na sua cabeça, com uma ideia: arregaçar as mangas para conseguir encaminhar todo o lixo eletrônico que encontrasse para indústrias de reciclagem. Assim como ele, uma infinidade de pessoas conscientes guardavam ou até estocavam quilos e mais quilos de coisas sem uso por receio de que tudo aquilo contaminasse o solo e o lençol freático. O então porteiro resolveu se tornar uma opção a isto e começou a recolher o lixo eletrônico alheio. Nos seis primeiros meses de atuação, ele reuniu 200 quilos de sucata, mas com um alto custo de operação que inviabilizaria a iniciativa. Deu muito trabalho, mas depois de um bom tempo de militância voluntária, sem fins lucrativos, Jadiel enxergou uma boa oportunidade de negócio. Tanto que teve de largar os plantões na portaria para se tornar um empresário bem-sucedido, aos 25 anos. Sua empresa, a Bio Digital, hoje trabalha com uma média de 12 toneladas de lixo eletrônico por mês. Tudo começou pelo fervor ambiental que o movia desde os tempos de criança (?eu dizia que queria ser Ibama para defender o planeta?). Três anos após a criação da empresa, Jadiel enfatiza que nada teria dado certo se tivesse pensado apenas no lucro.

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