Economia
Escassez de dados dificulta levantamento
O primeiro obstáculo em que a pesquisa esbarrou foi a escassez de dados oficiais que tratem especificamente de quilombolas. A pesquisadora com mestrado em Economia, Sarah Pessoa, confirma que se deparou com comunidades e famílias invisíveis para o Estado. A Fundação Cultural Palmares tem o registro de 6.222 famílias quilombolas. Já o CadÚnico conta apenas 4.543. E cadê as outras? ?A gente precisa enxergar onde estão essas 1.922 famílias?, pondera Pessoa. Elas precisam se autoafirmar nesta condição para receber a certificação, que reconhece os seus direitos e prioriza o acesso aos programas sociais do governo federal. Isto sem contar os locais ainda não reconhecidos e a imensidão de quilombolas que levam a carga genética para fora das comunidades. O objetivo do estudo é ?oferecer insumos à administração pública para planejar, implementar projetos e ações voltadas aos remanescentes de quilombos deste Estado?. Além da invisibilidade, este mergulho em busca dos herdeiros de Dandara e Ganga Zumba também perde o fôlego com outro aspecto profundo. ?O isolamento destas comunidades é um dos grandes fatores que dificulta o acesso aos programas de governo?, anota. Com foco na importância da economia popular para o desenvolvimento do Estado, o Núcleo de Estudos e Projetos da Seplag começa a identificar o potencial econômico dos quilombolas. Predomina a vocação para o artesanato, culinária, projetos culturais, agricultura familiar e pesca. Mas tudo com um toque especial, capaz de produzir iguarias únicas como o bolo de massa puba de Santa Luzia do Norte ou peças mágicas advindas do barro sagrado do Muquém, aos pés da Serra da Barriga, em União dos Palmares.