Economia
Situa��o atual continua a mesma
Navios negreiros atracavam com africanos no porto de Santa Luzia do Norte, na mesma Lagoa Mundaú onde hoje desfilam jet skis. ?Presa nos elos de uma só cadeia, a multidão faminta cambaleia. E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece. Outro, que martírios embrutece, cantando, geme e ri!?, relata Castro Alves, o baiano poeta dos escravos. O alagoano Jorge de Lima avisa à sina quilombola que ?Mundaú te lambeu: Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos e a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor tentarão apagar tua cor! E as gerações dessas gerações quando apagarem não apagarão de suas almas, a tua alma , negro!?. Da geração mais recente, veio Judite Firmino, nascida e criada no alto do Quilombo, em Santa Luzia do Norte. Mais acima ainda é a Coroa Grande. ?Lá têm fazendas quilombolas mesmo, onde ficavam as correntes e os troncos (de negro levar surra de chicote)?. Judite é agente de saúde e revela que está há oito meses sem pisar na comunidade de Coroa Grande porque cortaram o transporte. A liberdade de hoje não previne os males de outrora, provocados pela dificuldade de acesso. Solidão. Como levar o desenvolvimento a rincões tão esquecidos ou marginalizados? Eis o desafio proposto a um núcleo de jovens economistas com a missão de planejar o futuro de Alagoas, nas próximas décadas. ?Há perguntas que a gente não tem como responder, uma mulher, quilombola, chega para mim e diz: ?cadastrei o meu bucho, o menino já está grande e eu não recebo o Bolsa Família, por quê???, sinaliza Judite.